Vantagens e desvantagens de uma gravidez tardia

Existem muitos fatores positivos para ser uma mãe “madura”. Os médicos, de um ponto de vista fisiológico, afirmam que o melhor momento, a melhor idade para ter um bebê é entre os 20 e 30 anos. Mas devido a muitas e variadas razões, as mulheres não estão querendo ou podendo seguir este conselho.
Muitas mulheres não podem optar por ter um bebê antes dos 30 anos, seja por falta de oportunidades para sua independência dos pais, ou por não encontrar o par ideal, ou ainda por não ter um trabalho estável, ou porque não está contente com seu esposo e decide separar-se. Por causa de inúmeros motivos, a mulher acaba tendo seu primeiro bebê a partir dos 30 ou 35 anos de idade, apesar dos riscos que isso possa acarretar.

O lado positivo de engravidar em idade mais avançada
Ter um filho com uma idade mais avançada tem suas vantagens. Como tudo, não se pode generalizar, mas normalmente o que pode acontecer é que, a partir dos 30 ou 35 anos:
– A mãe tenha uma melhor situação financeira;
– A mãe e/ou pai têm situação estável no trabalho;
– A mãe sabe melhor sobre o que quer;
– O filho pode ser mais desejado e querido;
– O casal pode ter uma relação mais equilibrada;
– A mãe e/o pai se sentem mais seguros para enfrentar a educação do bebê;
– ambos já superaram suas etapas de vida e sabem o que acarreta ter um bebê em casa;
– Às vezes, quando não se trata do primeiro filho, pode gerar mais tranquilidade à mãe na hora de ter e educar ao seu bebê;
– Não vêem os cuidados com o bebê como um sacrifício, e sim como uma compensação;
– A mulher mais madura não terá a sensação que tem muitas mães muito jovens, de que foi impedida de desenvolver outras fases na sua vida. De que seu bebê atrapalhou o atrasou seus sonhos de desejos.
O lado ruim de atrasar a gravidez
Mais que uma desvantagem, o melhor seria situá-los como incômodos. Não referimos aos exames e controles pelos quais devem passar as mulheres durante a gravidez como forma de detectar possíveis anomalias e outros possíveis problemas associados à idade avançada da mãe. Não se pode ignorar que os riscos de saúde, tanto na mulher como no bebê, aumentam também com a idade.
Outro ponto que gera preocupação na maternidade tardia, é que em muitas famílias o cuidado com os bebê, tenha que acumular com a tarefa de atender a uns pais mais velhos ou doentes, o que pode causar um estresse na mulher, devido ao provável sentimento de impotência e de frustração para levar a situação.
Quando se trata de um primeiro filho de uma mãe maior de 35 anos, a tendência é que se converta em filho único, ou que aconteçam gravidezes rápidas para aproveitar os anos férteis.
Mas tudo isso são somente situações e experiências. Se você tem mais de 35 anos e está esperando um bebê, deve estar consciente de que acima de qualquer problema ou dificuldade sempre predominarão as vantagens de ser uma mãe mais velha.

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Deficiência Auditiva

A audição…
A audição, tal como os restantes sentidos, é muito importante para o nosso desenvolvimento como indivíduo, como parte da sociedade.
Já antes do nosso nascimento, a audição é o primeiro sentido a ser apurado, através do diálogo da mãe com o seu bebé, dos novos sons, do conhecimento do mundo que nos rodeia.

É através desta que comunicamos com o mundo e este se comunica connosco, desenvolvendo assim a nossa identidade, os nossos sentimentos, a compreensão do mundo que está à nossa volta, os vínculos sociais, as interacções intra e inter – pessoais e, não esquecendo, o modo como manifestamos os nossos anseios e necessidades.

Definição de Deficiencia Auditiva
A deficiência auditiva, trivialmente conhecida como surdez, consiste na perda parcial ou total da capacidade de ouvir, isto é, um indivíduo que apresente um problema auditivo.

É considerado surdo todo o individuo cuja audição não é funcional no dia-a-dia, e considerado parcialmente surdo todo aquele cuja capacidade de ouvir, ainda que deficiente, é funcional com ou sem prótese auditiva.
A deficiência auditiva é uma das deficiências contempladas e integradas nas necessidades educativas especiais (n.e.e.); necessidades pelas quais a Escola tanto proclama.

Qual a diferença entre surdez e deficiência auditiva?
Por vezes, as pessoas confundem surdez com deficiência auditiva. Porém, estas duas noções não devem ser encaradas como sinónimos.
A surdez, sendo de origem congénita, é quando se nasce surdo, isto é, não se tem a capacidade de ouvir nenhum som. Por consequência, surge uma série de dificuldades na aquisição da linguagem, bem como no desenvolvimento da comunicação.
Por sua vez, a deficiência auditiva é um défice adquirido, ou seja, é quando se nasce com uma audição perfeita e que, devido a lesões ou doenças, a perde. Nestas situações, na maior parte dos casos, a pessoa já aprendeu a se comunicar oralmente. Porém, ao adquirir esta deficiência, vai ter de aprender a comunicar de outra forma.
Em certos casos, pode-se recorrer ao uso de aparelhos auditivos ou a intervenções cirúrgicas (dependendo do grau da deficiência auditiva) a fim de minimizar ou corrigir o problema.

Tipos de deficiência auditiva
• Deficiência Auditiva Condutiva
• Deficiência Auditiva Sensório-Neural
• Deficiência Auditiva Mista
• Deficiência Auditiva Central / Disfunção Auditiva Central / Surdez Central
Deficiência Auditiva Condutiva

A perda de audição condutiva afecta, na maior parte das vezes, todas as frequências do som. Contudo, por outro lado, não se verifica uma perda de audição severa.
Este tipo de perda de capacidade auditiva pode ser causada por doenças ou obstruções existentes no ouvido externo ou no ouvido interno. A surdez condutiva pode ter origem numa lesão da caixa do tímpano ou do ouvido médio.
É vulgar nos adultos a perda de audição condutiva, devido ao depósito de cerúmen (cera) no canal auditivo externo. Nas crianças, a otite média, uma inflamação do ouvido médio, é a causa mais comum de perda de audição condutiva.

Deficiência Auditiva

Sensório-Neural
A perda de audição neurossensorial resulta de danos provocados pelas células sensoriais auditivas ou no nervo auditivo. Este tipo de perda pode dever-se a um problema hereditário num cromossoma, assim como, pode ser causado por lesões provocadas durante o nascimento ou por lesões provocadas no feto em desenvolvimento, tal como acontece quando uma grávida contrai rubéola.
A sujeição a ruídos excessivos e persistentes aumenta a pressão numa parte do ouvido interno – o labirinto – e pode resultar numa perda de audição neurossensorial. Essa perda pode variar entre ligeira e profunda. Nestes casos, o recurso à amplificação do som pode não solucionar o problema, uma vez que é possível que se verifique distorção do som.

Deficiência Auditiva Mista
Na deficiência auditiva mista verifica-se, conjuntamente, uma lesão do aparelho de transmissão e de recepção, ou seja, quer a transmissão mecânica das vibrações sonoras, quer a sua transformação em percepção estão afectadas/perturbadas.
Esta deficiência ocorre quando há alteração na condução do som até ao órgão terminal sensorial ou do nervo auditivo. A surdez mista ocorre quando há ambas as perdas auditivas: condutivas e neurossensoriais.

Deficiência Auditiva Central / Disfunção Auditiva Central / Surdez Central
A deficiência auditiva Central, Disfunção Auditiva Central ou Surdez Central não é, necessariamente, acompanhada de uma diminuição da sensibilidade auditiva. Contudo manifesta-se por diferentes graus de dificuldade na percepção e compreensão das quaisquer informações sonoras. Este tipo de deficiência é determinado por uma alteração nas vias centrais da audição. Tal, decorre de alterações nos mecanismos de processamento da informação sonora no tronco cerebral, ou seja, no Sistema Nervoso Central.

Classificação BIAP
(Bureau International d’Audiophonologic)
Graus de surdez:
– Leve – entre 20 e 40 dB
– Média – entre 40 e 70 dB
– Severa – entre 70 e 90 dB
– Profunda – mais de 90 dB
• 1º Grau: 90 dB
• 2º Grau: entre 90 e 100 dB
• 3º Grau: mais de 100 dB

Como minimizar o problema da deficiência auditiva?
Os progressos tecnológicos dos últimos tempos têm sido pontos bastante rentáveis para as pessoas que apresentam falhas auditivas.
Porém, quanto mais cedo se iniciar o tratamento para estes indivíduos, também melhor serão os resultados, uma vez que quanto mais cedo se iniciar a estimulação do cérebro, melhor será o seu desenvolvimento.
Para minimizar o problema da deficiência auditiva, as pessoas podem recorrer a dois métodos:
• método oralista
• método gestualista
Ou ainda…
•Prótese auditivas
• Equipamentos autónomos de amplificação por frequência modulada

Método Oralista e Método Gestualista
Existem dois métodos fundamentais para melhorar um tratamento na pessoa deficiente auditiva:
• O método oralista, que somente se baseia na aquisição de linguagem oral, sem intervenção de gestos estruturados.
• O método gestualista que, para além de um ensino de linguagem oral, ainda apresenta um sistema estruturado de gestos. Este último baseia-se na defesa da linguagem gestual.

Próteses auditivas e outros equipamentos
Ainda que, por muito cedo a pessoa portadora de deficiência auditiva comece a usar próteses auditivas, estas vão intervir com o seu auto-reconhecimento, com a sua imagem pessoal, afastando-a simbolicamente da comunidade surda, ainda que a língua gestual possa ser a sua língua materna. As próteses auditivas, por serem aparelhos visíveis e facilmente detectáveis à observação directa, farão com que o indivíduo tenha de se adaptar a esta nova realidade, para assim se integrar de uma melhor forma na sociedade.
Contudo, nem sempre isto é conseguido, uma vez que a maior parte das pessoas rejeitam estes aparelhos.
As próteses auditivas são aparelhos que servem para ampliar o som. Contudo, é através do uso e do treino auditivo especializado que se vão conseguindo alcançar alguns resultados.
Toda esta tecnologia que tem vindo a ser falada ao longo dos tempos, tem, gradualmente, vindo a ajudar as pessoas deficientes auditivas, permitindo-nos também dispor de alguns aparelhos de amplificação de sons são bastante úteis.

Existem ainda os equipamentos autónomos de amplificação por frequência modulada, que transmitem o sinal sonoro mediante ondas de alta-frequência.
Estes equipamentos evitam interferências, reduzem o ruído ambiente e eliminam o problema de distância entre interlocutores.
Para o treino da terapia da fala existem amplificadores de bandas de frequência mais especializados, que possuem filtros de frequência que deixam passar somente as frequências que a terapeuta quer trabalhar no momento. Ainda para os surdos mais profundos, pode aplicar-se a tecnologia de tratamento electrónico de sons, traduzindo-os em vibrações, que se percebem pelo tacto.
A nível informático é onde se denotam as principais evoluções para o desenvolvimento da aprendizagem de um surdo. Os computadores estão suficientemente preparados e avançados, de tal forma que estes possuem uma grande capacidade de motivação para os alunos. A comunicação é bidireccional e cada computador pode adaptar-se ao ritmo de trabalho de cada aluno. A correcção dos exercícios é imediata e possui ainda um grande poder de simulação de fenómenos físicos.
O diagnóstico que inicialmente se faz à pessoa deficiente auditiva vai depender muito de alguns factores, tais como: o grau de surdez, o momento em que aparece e em que é detectada a deficiência e até mesmo do próprio indivíduo.
Em alguns casos, o grau de surdez é tão profundo que temos que recorrer a implantes cocleares, com resultados muito prometedores. Os implantes cocleares são aparelhos auditivos com um componente interno introduzido no ouvido interno (através de uma operação) e de um outro, externo, semelhante a uma prótese auricular, ligada a um processador. A colocação desta prótese faz-se através de uma intervenção cirúrgica.
O resultado deste implante é positivo, visto a qualidade do tom de voz melhorar, a fala torna-se mais rítmica, há uma melhor habilidade de produzir fonemas e uma melhor frequência das verbalizações. As pessoas apresentam, ainda, melhor atenção e concentração, mais interesse a falar, fazem menos barulho em casa e conseguem identificar sons ambientais.
Ao contrário do que é pensado por muitas pessoas, nunca se deve falar alto na presença destas pessoas, pois de nada vai adiantar. O docente deverá falar pausada e distintamente, para que o indivíduo compreenda o que está a ser dito. Não nos devemos esquecer que estas pessoas utilizam muitas vezes a leitura labial. Portanto, enquanto está a falar, deverá posicionar-se sempre à sua frente.

O Deficiente auditivo e a Sociedade…
Durante muitos anos, os indivíduos portadores de deficiências eram considerados pela sociedade como sendo aberrações da natureza. Estes eram consequentemente associados à imagem do diabo e a actos de feitiçaria por serem diferentes dos restantes membros da sociedade.
As perseguições, os julgamentos e até mesmo as mortes foram, na Idade Média, a forma “mais eficaz” de resolver estes problemas.
As pessoas com deficiências auditivas não fugiram à regra, sendo vítimas de muitas destas perseguições, uma vez que eram vistas como pessoas diferentes e, portanto, incompreensíveis aos olhos de quem as rodeava.
Porém, a partir do séc. XX, os portadores de deficiências passam a ser vistos como cidadãos com direitos e deveres de participação na sociedade, mas sob uma óptica assistencial e caritativa.
A primeira directriz política dessa nova visão aparece em 1948 com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. “Todo ser humano tem direito à educação.”
A partir de então, vários foram os progressos que se fizeram nesse mesmo sentido, até que nos encontramos, actualmente, perante uma mentalidade muito mais aberta, justa, …

Todas as deficiências:
Sendo portador de uma deficiência, posso participar em actividades culturais, desportivas ou recreativas?
Sim, uma vez que são actividades a que todos têm direito e constituem uma necessidade como meio de ocupação qualificada de tempos livres, de aumento dos níveis de integração social e de reabilitação.

Quais os desportos que um deficiente pode praticar?
Qualquer desporto ou modalidade desportiva pode ser praticado(a) por qualquer pessoa portadora de deficiência(s), seja qual for a deficiência.
Poderá escolher qualquer modalidade desde que se sinta com capacidade para a praticar, ainda que com o apoio de uma ajuda técnica ou de um dispositivo de compensação.

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descobertas físicas

Introdução
O estudo da física está relacionado à várias situações da nossa vida. Desde a Grécia Antiga o homem procura entender o funcionamento das coisas e buscou na ciência estas explicações. Hoje em dia, a física moderna atua em vários ramos da indústria, de tecnologia, de geração de energia entre outros.
Está importante ciência está dividida em várias áreas : mecânica, termologia, óptica, ondas, eletricidade, eletrodinâmica, cinemática e física nuclear.
A Física atua em parceria com outras áreas da ciência como, por exemplo, a matemática e a química. Muitos fenômenos físicos só podem ser explicados através de fórmulas matemáticas ou de reações químicas.
Segue abaixo um histórico da evolução da Física:
480 a.C. – O grego Leucipo chega a conclusão de que a matéria de todos os corpos é composta por partículas microscópicas chamadas de átomos.
260 a.C. – O grego Arquimedes descobre que os corpos flutuam, pois deslocam um pouco de líquido para os lados.
1269 – O francês Pèlerin de Maricourt descobre o funcionamento dos dois pólos magnéticos de um imã.
1589 – O Galileu Galilei, cientista italiano, chega a conclusão de que todos os corpos caem numa mesma velocidade independente de seu peso. É o princípio da física moderna e da lei de queda livre dos corpos.
1648 – Blaise Pascal faz importantes pesquisas sobre a pressão gerada pelo peso dos gases e da água.
1666 – O pesquisador inglês Isaac Newton chega a conclusão que a luz é formada pela junção de várias cores.
1678 – O físico holandês Christiaan Huygens é o primeiro a defender a idéia de que a luz se propaga como se fosse uma onda.
1687 – O físico Isaac Newton publica Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. Neste livro, Newton define as principais leis da mecânica e demonstra que os corpos se atraem pela força de gravidade.
1752 – O pesquisador norte-americano Benjamim Franklin divulga suas pesquisas sobre raios, demonstrando que existem dois tipos de cargas elétricas, a negativa e a positiva.
1800 – O astrônomo inglês William Herschel faz uma importante descoberta sobre o Sol. O astro emite raios infravermelhos.
1822 – O matemático francês Jean-Baptiste Fourier desenvolve várias fórmulas sobre o fluxo de calor.
1847 – O físico Joule desenvolve a Primeira Lei da Termodinâmica, comprovando que a energia não pode ser criada, nem destruída.
1859 – O físico inglês James Clerk Maxwell desenvolve a Teoria Cinética dos Gases, demonstra como calcular a velocidade dos átomos de um gás.
1865 – O pesquisador inglês James Clerk Maxwell descobre a força eletromagnética, estudando a ação da energia elétrica e da magnética.
1888 – O cientista alemão Heinrich Hertz produz em laboratório as primeiras ondas de rádio.
1895 – Pesquisas do cientista alemão Wilheim Konrad Röntgen mostra a existência dos raios X.
1900 – O cientista alemão Max Planck faz pesquisas importantes na campo da Física Quântica. Estes estudos serviram de base para o desenvolvimento da Teoria da Relatividade.
1905 – O cientista alemão Albert Einstein cria a Teoria da Relatividade, onde conclui que o tempo não é absoluto.
1911 – O físico australiano Ernest Rutherford observa que quase toda a massa de um átomo se concentra em seu núcleo que é muito duro.
1932 – O físico inglês James Chadwick descobre a existência o nêutron, uma das partículas que forma o núcleo do átomo junto com o próton.
1939 – Os físico-químicos alemães Otto Hahn e Lise Meitner realizam experiência onde conseguem fazer a fissão do núcleo do urânio, partindo seu núcleo.
1975 – O inglês Stephen Hawking conclui que um buraco negro pode evaporar, perdendo uma pequena quantidade de massa.
1999 – A física dinamarquesa Lene Vestergaard, consegue reduzir a velocidade da luz, fazendo com que esta ultrapasse uma matéria conhecida como condensado de Bose-Einsten. A velocidade da luz é reduzida em 18 milhões de vezes.
2000 – Cientistas do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares comprovam que é possível tirar partículas subatômicas, os quarks, dos prótons e nêutrons.
Principais áreas da Física:
– Mecânica
– Termologia
– Ondulatória
– Acústica
– Óptica
– Eletromagnetismo
– Física de Particulas
– Teoria da Relatividade
– Física Atômica
– Física Molecular
– Física Nuclear
– Mecânica Quântica
– Física de Plasmas
– Astrofísica
– Física de Materiais

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Reino de Deus

O Reino de Deus designa um governo ou domínio em que tem Deus por soberano ou governante. Segundo o Gênesis, os primeiros humanos rebelaram-se deliberadamente contra a soberania de Deus, por isso, eles foram expulsos do Jardim do Éden.
O Reino de Deus é um conceito fundamental nas 3 principais religiões abraâmicas existentes: o Judaísmo, o Islamismo e, mais notavelmente, o Cristianismo. Nesta última religião monoteísta, o Reino de Deus constitui o tema principal pregado por Jesus, através de parábolas.
No Judaísmo
O Reino de Deus é frequentemente referido no Tanakh.[1] Este conceito está muito ligado à crença judaica de que Javé (Deus) iria restaurar a nação de Israel. Aliás, o Reino de Deus foi prometido por Javé ao Rei David de Israel.[2]
Também no Tanakh, Javé é apresentado como o verdadeiro Rei de Israel, sobretudo a partir da monarquia, quando são ungidos reis para gover¬na¬rem o povo em nome de Javé. Neste caso o Reino de Deus é mais um reino material com características políticas, ou seja um reino deste mundo, assemelhando-se a uma monarquia teocrática. Porém, depois do Exílio na Babilônia, o conceito de Reino de Deus foi espiritualizado, passando o culto de Javé a ser predominantemente religioso e universal. Esta espiritualização deveu-se muito ao esforço e trabalho de vários profetas judeus.[3]
No Cristianismo
Entre os teólogos cristãos existem conceitos divergentes mas não incompatíveis quanto ao que é concretamente o Reino de Deus, que podemos sintetizar em três pontos:
• um governo real e/ou universal de Deus estabelecido no Céu e também na Terra completamente renovada no fim dos tempos, no dia do Juízo final e com existência eterna;
• uma condição interior de dimensão pessoal, de carácter espiritual, moral, mental e psíquico/psicológico, existente em todos aqueles que estão na graça de Deus e que seguem verdadeiramente a vontade de Deus e os ensinamentos e exemplo de Jesus Cristo;
• a Igreja Cristã.
Pelo menos segundo a doutrina da Igreja Católica, o Reino de Deus tem simultaneamente uma dimensão pessoal, de carácter espiritual e mo¬ral, em cada homem; e uma dimensão universal que se manifestará no fim dos tempos, no dia do Juízo Final, quando tudo se consumirá e estabelecerá uma nova Terra e um novo Céu, onde os justos vivem em Deus, com Deus e junto de Deus.[3] Tal só irá acontecer quando o Reino, que já foi instaurado na Terra por Jesus,[4] já estiver perfeito e suficientemente maduro.
Os valores principais do Reino de Deus são a verdade, a justiça, a paz, a fraternidade, o perdão, a liberdade, a alegria e a dignidade da pessoa humana.[5]
Reino de Deus e Reino dos Céus
Enquanto o evangelho segundo São Mateus se dirige aos judeus na maioria das vezes falando em Reino dos Céus, no evangelho segundo São Marcos e São Lucas falam sobre o Reino de Deus, expressão essa que tem o mesmo sentido daquela, ainda mais que inteligível para os que não eram judeus. O emprego de Reino dos Céus, no evangelho segundo São Mateus, certamente é devido à tendência, no judaísmo, de evitar o uso direto do nome de Deus.[6] Na verdade é preciso entender que “Reino de Deus” em sua interpretação direta da palavra nos induz a uma verdade que não pode ser negada: o Reino é de Deus. Esta frase aponta para o Rei (Deus), enquanto a expressão “Reino dos Céus” aponta para a origem do Reino. Portanto em sua interpretação direta da palavra nos induz a uma verdade que também não pode ser negada: o Reino vem dos Céus, querendo isto dizer que o Reino não é feito de políticas nem de relações sociais terrenas. O Reino tornar-se-ia portanto mais do que numa simples monarquia, mas sim numa grande família de amor onde o Pai (Deus) viverá em, com e junto dos seus filhos (os humanos bem-aventurados) [7] e onde não irá existir mais súbditos, governados nem classes sociais distintas.
Anúncio e características do Reino
O Reino de Deus, que foi inaugurado na terra por Cristo,[4] está destinado a acolher todos os homens, mas foi primeiramete anunciado aos filhos de Israel.[8] Este Reino foi já anunciado por João Baptista, que exortou as pessoas a arrependerem, porque está próximo o Reino dos Céus (Mt 3,2). Mais tarde, Jesus de Nazaré, o prometido Messias e Salvador da humanidade, foi baptizado e Ungido (Lc 3,30-31), começando assim o seu ministério, que centrou-se necessariamente em torno do Reino de Deus. Ele instruíu os seus apóstolos a pregar que está próximo o Reino dos Céus. Essas instruções seriam repetidas a todos os seus discípulos, a todos os cristãos (Mt 10,7; 24,14; 28,19-20; Act 1,8). A Bíblia inteira gira em torno da vinda do Messias e do Reino do Deus. Por conseguinte, o Reino de Deus, que é uma grande realidade misteriosa, tem um grande sentido profético e missionário na vida da Igreja Cristã.
Jesus, através de parábolas, convida todas as pessoas a entrar no Reino de Deus, ou seja, tornar-se discípulos d’Ele, para conhecer os mistérios do Reino dos Céus (Mt 13,11). Segundo o Catecismo da Igreja Católica, Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no coração das parábolas. Para os que ficam “de fora” (Mc 4,11), tudo permanece enigmático.[9] Jesus exorta os seus discípulos a buscar, em primeiro lugar, o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6,33).
O Reino de Deus, que não terá fim e que já está no meio de nós (Lc 17, 21), é justiça, paz e alegria no Espírito Santo (Rm 14,17); é o fim último ao qual Deus nos chama;[10] é obra do Espírito Santo;[11] e é também um império eterno que jamais passará e…jamais será destruído (Dn 7,14).
Todas as pessoas que querem pertencer ao Reino de Deus precisam de converter-se, de realizar a vontade divina, de ter fé em Jesus e de acolher a sua palavra.[8] De facto, Jesus convida todas pessoas à conversão (um pré-requisito para o acesso ao Reino), a renunciar o mal e o pecado (um grande obstáculo para o acesso ao Reino) e a arrependerem os seus pecados e experimentarem o ilimitado perdão e misericórdia de Deus. Este apelo constitui a parte fundamental do anúncio do Reino de Deus: “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Este apelo à conversão é especialmente para os não-cristãos e os pecadores, pois Jesus afirma que não vim chamar justos, mas pecadores (Mc 2,17) e que Deus Pai sentirá imensa alegria no céu por um único pecador que se arrepende (Lc 15,7). Esta conversão e remissão dos pecados (Mt 26,28) só foi possível pelo sacrifíco de Jesus, Filho de Deus Pai, na cruz, constituindo a suprema prova do amor que Deus tem pelos homens.[12]
Jesus afirmou que não entrará no Reino todo o que não o receber com a mentalidade de uma criança (Mc 10,15),[13] quem não nascer de novo[14] (Jo 3,3), aquele que não faz a vontade de meu Pai que está nos céus (Mt 7,21) e os injustos (1Cor 6,9).
Para ter acesso ao Reino de Deus, é preciso passarmos por muitas tribulações (Act 14,22) e também cumprir a Lei de Deus, porque aquele, portanto, que violar um só destes menores mandamentos e ensinar os homens a fazerem o mesmo [vai] ser chamado o menor no Reino dos Céus; aquele, porém, que os praticar e os ensinar, esse será chamado grande no Reino dos Céus (Mt 5,17-19).
As Bem-aventuranças, pregadas por Jesus no famoso Sermão da Montanha e que anunciam e revelam aos homens a verdadeira felicidade, são por isso também um grande anúncio da vinda do Reino de Deus através da palavra e acção de Jesus e também do carácter das pessoas que pertencem ao Reino. Jesus exorta as pessoas a seguir este carácter exemplar, para poderem depois entrarem no Reino de Deus, ou seja, para obterem a salvação e a vida eterna.
Uma vez inaugurada na Terra por Jesus, ninguém, nem mesmo Satanás, consegue travar e impedir a edificação e a realização final e perfeita do Reino de Deus. Mas, este Reino, enquanto não atingir a sua perfeição, é ainda atacado pelos poderes maus, embora estes já tenham sido vencidos em suas bases pela Morte na cruz e Ressureição de Jesus. Satanás, um ser muito poderoso e maligno, só consegue atrasar a realização final do Reino na Terra, através do cultivo do ódio no mundo contra Deus.[15]
Este Reino, para grande desapontamento de muitos judeus da altura, não vinha restabelecer o reinado temporal de Israel e não é um reino deste mundo, ou seja, não é um reino com características políticas, mas sim com características predominantemente espirituais. Resumindo, o Reino de Deus, que cresce como uma semente que Deus coloca no coração de cada homem (dimensão pessoal), é a plena instauração da lei do amor a Deus e ao próximo e terá a sua realização final e perfeita na vida do mundo que há-de vir, na nova Terra e no novo Céu implantados por Deus no fim dos tempos (dimensão universal).[5]
Sinais do Reino
Jesus operou muitos milagres, prodígios e sinais (Act 2,22), que provam que Ele é o Messias anunciado, o Filho de Deus e o Salvador enviado por Deus Pai e que o Reino de Deus está presente n’Ele e já está no meio de nós (Lc 17, 21). A operação destes sinais milagrosos, que pode ser ocasião de escândalo para alguns, tem por objectivo convidar as pessoas a crerem em Jesus e nas suas palavras. Aos que a Ele se dirigem com fé, concede o que pedem. Apesar dos seus milagres serem tão evidentes, Jesus é rejeitado por alguns e até acusado de agir por intermédio dos demônios.[16]
Jesus, que não veio abolir todos os males da Terra, libertou ainda assim certas pessoas dos males terrestres da fome, da injustiça, da doença e da morte, antevendo assim que, quando chegar na altura da realização final do Reino de Deus, todos estes males irão desaparecer. Aliás, Jesus operou sinais messiânicos veio para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado, que os entrava em sua vocação de filhos de Deus e causa todas as suas escravidões humanas.[17]
Os exorcismos que Jesus efectuou libertaram homens do domínio dos demónios, afirmando que se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demónios, então o Reino de Deus já chegou a vós (Mt 12,28). Isto prediz também que o advento do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás e antecipa a grande vitória de Jesus sobre “o príncipe deste mundo”.[18]
Jesus, embora não curou todos os doentes do mundo, curou ainda assim vários enfermos, incluindo leprosos, que naquela altura eram isolados e altamente discriminados. Estas curas eram sinais da vinda do Reino de Deus e anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e a morte pela Ressurreição de Jesus. Na cruz, Cristo tomou sobre si todo o peso do mal e tirou o “pecado do mundo” (Jo 1,29).[19]
A entrada de Jesus em Jerusalém, a Transfiguração e a Ascensão de Jesus são também sinais da vinda do Reino e do começo da consumação do desígnio de Deus sobre a sua Criação (o estabelecimento do Reino de Deus).[20]
Resumindo, o Reino de Deus manifesta-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo.[21]
Reino de Deus e Igreja
Segundo a doutrina da Igreja Católica, a Igreja é o germe e o começo do Reino de Deus na Terra,[4] visto que foi Jesus, o fundador e a Cabeça da Igreja, que inaugurou o Reino de Deus na Terra e que o semeou nos corações de cada homem (que pode dar frutos ou não). Mesmo que Ele foi elevado ao céu, continua a estar presente na Terra na sua Igreja.
O Reino de Deus já está misteriosamente presente na Igreja[22] e manifesta-se nela, de forma sacramental. Enquanto tudo e todos os homens não forem submetidos ao Reino de Deus e enquanto não houver novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça, a Igreja peregrina (Igreja na Terra), auxiliada e guiada pelo Espírito Santo, continua a aguardar a realização final do Reino de Deus, juntamente com os seus sacramentos, as suas instituições e os seus membros. Mas, esta realização final pode ser antecipada por ela através da evangelização,[23] que engloba a anunciação de Jesus Cristo e do Reino de Deus a todo o mun¬do. Com isto, acelera-se o estabelecimento do Reino em todos os povos [24] e a união de todas as pessoas pela fé em Jesus.[3][25]
Os cristãos, como membros vivos da Igreja, num trabalho de discernimento segundo o Espírito Santo, devem saber distinguir entre o crescimento do Reino de Deus e o progresso da cultura e da sociedade em que pertencem e fazem parte. Como distinguir não é sinónimo de separar, logo a vocação do homem para a vida eterna não suprime, antes reforça seu dever de acionar as energias e os meios recebidos do Criador para servir neste mundo à justiça e à paz.[26]
Realização final do Reino
Ver artigo principal: Juízo Final
Já presente misteriosamente na Igreja Cristã, que é o seu germe e começo, o Reino de Deus ainda não atingiu a perfeição (ou a sua realização final), ou seja, ainda não está consumado “com poder e grande glória” (Lc 21, 17).[25]
Segundo a doutrina da Igreja Católica, o Reino de Deus só irá chegar à sua plenitude (ou perfeição), no fim dos tempos,[27] depois de ocorrer uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal. Este triunfo divino sobre a última investida das potências do mal fará descer novamente Jesus à Terra e assumirá a forma do Juízo Final depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa [28]
Depois do Juízo final, os justos, que são separados dos ímpios e dos injustos, reinarão com Cristo para sempre, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo material será transformado. Então Deus será “tudo em todos” (1 Cor 15,28), na Vida Eterna.[29]
Segundo a doutrina adventista, que tem uma interpretação diferente pelo menos para a realização final do Reino, este tem um subsidiário que o precede, que se chama Reino Milenar de Cristo. Segunda esta corrente cristã, o Juízo Final, que precede à implantação final do Reino, é constituído de 3 fases: Investigativo, Comprovativo e Executivo; onde preconiza, entre outras coisas, várias vindas de Jesus à Terra, várias ressurreições dos mortos e uma grande guerra de proporções épicas entre Satanás (e os humanos ímpios ou maus) e Deus (e os homens justos e santos).
Reino de Deus e os não-cristãos
Pelo menos segundo a doutrina da Igreja Católica, todos aqueles que, sem culpa própria, ignoram a Verdade contida nos ensinamentos de Jesus Cristo e da sua Igreja, mas que “procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade”, podem conseguir a salvação eterna,[30] ou seja, podem ter acesso ao Reino de Deus.
Reino de Deus como um Projecto de Deus
O Reino de Deus pode também ser encarado como o Projecto Criador de Deus a realizar neste Mundo e que consiste na plena realização da Criação de Deus, finalmente liberta de toda a imperfeição e compenetrada por Ele. Portanto, pode ser compreendido como o desígnio último de Deus sobre a sua Criação, cuja consumação (ou realização) no mundo foi iniciada por Jesus, o inaugurador do Reino na Terra, e ainda hoje é continuada pela sua Igreja, que é encabeçada por Ele.
O Reino de Deus pode ser interpretado também como o estado terminal e final da salvação, onde os homens irão transcender-se e viver eternamente com Deus, em Deus e junto de Deus. Lá, a lei do amor incondicional a Deus e ao próximo é finalmente instaurada definitivamente. Não haverá mais tempo, mais sofrimento, mais conflitos, mais ódio, e o céu e a terra unem-se finalmente, instaurando um novo céu e uma nova terra.
Embora Deus seja Todo-Poderoso, Ele quer que os humanos, dotados de inteligência e razão, participassem de um modo recíproco, livre e voluntário no Projecto Criador de Deus, o maior de todos os projectos que o mundo jamais viu, englobando todos os tempos, todos os povos e todos os seres do Universo. Seguindo este pensamento, esta missão torna a humanidade verdadeira parceira de Deus, com muita liberdade e simultaneamente muita responsabilidade. Isto quer dizer que os homens, como membros vivos da Igreja, têm o poder e a capacidade de acelerar e antecipar a vinda do Reino de Deus com a sua fé em Jesus Cristo e com as suas boas acções.[31][32]

v • e
Cristianismo

Católicos
Católico Romano • Católicos Independentes (ex: Velha Igreja Católica, Igreja Católica Liberal e Católicos brasileiros dissidentes)

Protestantes
Luteranos • Reformados • Anabatistas • Batistas • Anglicanos • Metodistas • Adventistas • Evangélicos • Pentecostais

Orientais
Igreja Ortodoxa • Igrejas não-calcedonianas • Igreja Assíria do Oriente

Antitrinitarismo
Testemunhas de Jeová • Os Santos dos Últimos Dias • Unitarianos • Cristadelfianos • Pentecostais do Nome de Jesus

Cristianismo Esotérico
Rosacrucianos • Gnósticos • Teosofia • Antroposofia

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vida e obra de agostinho neto

Agostinho Neto

________________________________________

Biografia

Poemas:
• Quitandeira
• Voz de sangue
• Mussunda amigo
• Contratados
• Aspiração
• Poesia africana
• Fogo e ritmo
• Kinaxixi
• Noite
• Consciencialização
• Civilização ocidental
• Adeus à hora da largada
________________________________________
Biografia
Nasceu em Catete, Angola, em 1922, faleceu em 1979. Estudos primários e secundários em Angola, licenciado em Medicina pela Universidade de Lisboa. Em Portugal, sempre esteve ligado à actividade política, onde com Lúcio Lara e Orlando de Albuquerque fundou a revista Momento, em 1950. Como aconteceu a outros escritores africanos foi preso e desterrado para Cabo Verde, tendo mais tarde conseguido a fuga para o continente. Presidente do MPLA, foi o primeiro presidente de Angola.
Obra Poética:
Quatro Poemas de Agostinho Neto, 1957, Póvoa do Varzim, e.a.;
Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império;
Sagrada Esperança, 1974, Lisboa, Sá da Costa (inclui os poemas dos dois primeiros livros);
A Renúncia Impossível, 1982, Luanda, INALD (edição póstuma).
________________________________________
Quitandeira
A quitanda.
Muito sol
e a quitandeira à sombra
da mulemba.

– Laranja, minha senhora,
laranjinha boa!

A luz brinca na cidade
o seu quente jogo
de claros e escuros
e a vida brinca
em corações aflitos
o jogo da cabra-cega.

A quitandeira
que vende fruta
vende-se.

– Minha senhora
laranja, laranjinha boa!

Compra laranja doces
compra-me também o amargo
desta tortura
da vida sem vida.

Compra-me a infância do espírito
este botão de rosa
que não abriu
princípio impelido ainda para um início.

Laranja, minha senhora!

Esgotaram-se os sorrisos
com que chorava
eu já não choro.

E aí vão as minhas esperanças
como foi o sangue dos meus filhos
amassado no pó das estradas
enterrado nas roças
e o meu suor
embebido nos fios de algodão
que me cobrem.

Como o esforço foi oferecido
à segurança das máquinas
à beleza das ruas asfaltadas
de prédios de vários andares
à comodidade de senhores ricos
à alegria dispersa por cidades
e eu
me fui confundindo
com os próprios problemas da existência.

Aí vão as laranjas
como eu me ofereci ao álcool
para me anestesiar
e me entreguei às religiões
para me insensibilizar
e me atordoei para viver.

Tudo tenho dado.

Até mesmo a minha dor
e a poesia dos meus seios nus
entreguei-as aos poetas.

Agora vendo-me eu própria.
– Compra laranjas
minha senhora!
Leva-me para as quitandas da Vida
o meu preço é único:
– sangue.

Talvez vendendo-me
eu me possua.

– Compra laranjas!

(Sagrada esperança)
Voz do sangue
Palpitam-me
os sons do batuque
e os ritmos melancólicos do blue

Ó negro esfarrapado do Harlem
ó dançarino de Chicago
ó negro servidor do South

Ó negro de África

negros de todo o mundo

eu junto ao vosso canto
a minha pobre voz
os meus humildes ritmos.

Eu vos acompanho
pelas emaranhadas áfricas
do nosso Rumo

Eu vos sinto
negros de todo o mundo
eu vivo a vossa Dor
meus irmãos.

(A renúncia impossível)
Mussunda amigo
Para aqui estou eu
Mussunda amigo
Para aqui estou eu

Contigo
Com a firme vitória da tua alegria
e da tua consciência

O ió kalunga ua mu bangele!
O ió kalunga ua mu bangele-lé-leleé…

Lembras-te?

Da tristeza daqueles tempos
em que íamos
comprar mangas
e lastimar o destino
das mulheres da Funda
dos nossos cantos de lamento
dos nossos desesperos
e das nuvens dos nossos olhos
Lembras-te?

Para aqui estou eu
Mussunda amigo

A vida a ti a devo
à mesma dedicação ao mesmo amor
com que me salvaste do abraço
da jibóia

à tua força
que transforma os destinos dos homens

A ti Mussunda amigo
a ti devo a vida

E escrevo versos que não entendes
compreendes a minha angústia?

Para aqui estou eu
Mussunda amigo
escrevendo versos que tu não entendes

Não era isto
o que nós queríamos, bem sei

Mas no espírito e na inteligência
nós somos!

Nós somos
Mussunda amigo
Nós somos

Inseparáveis
e caminhando ainda para o nosso sonho

No meu caminho
e no teu caminho
os corações batem ritmos
de noites fogueirentas
os pés dançam sobre palcos
de místicas tropicais
Os sons não se apagam dos ouvidos

O ió kalunga ua mu bangele…

Nós somos!

(Sagrada esperança)
Contratados
Longa fila de carregadores
domina a estrada
com os passos rápidos

Sobre o dorso
levam pesadas cargas

Vão
olhares longínquos
corações medrosos
braços fortes
sorrisos profundos como águas profundas

Largos meses os separam dos seus
e vão cheios de saudades
e de receio
mas cantam

Fatigados
esgotados de trabalhos
mas cantam

Cheios de injustiças
calados no imo das suas almas
e cantam

Com gritos de protesto
mergulhados nas lágrimas do coração
e cantam

Lá vão
perdem-se na distância
na distância se perdem os seus cantos tristes

Ah!
eles cantam…

(Sagrada esperança)
Aspiração
Ainda o meu canto dolente
e a minha tristeza
no Congo, na Geórgia, no Amazonas

Ainda
o meu sonho de batuque em noites de luar

ainda os meus braços
ainda os meus olhos
ainda os meus gritos

Ainda o dorso vergastado
o coração abandonado
a alma entregue à fé
ainda a dúvida

E sobre os meus cantos
os meus sonhos
os meus olhos
os meus gritos
sobre o meu mundo isolado
o tempo parado

Ainda o meu espírito
ainda o quissange
a marimba
a viola
o saxofone
ainda os meus ritmos de ritual orgíaco

Ainda a minha vida
oferecida à Vida
ainda o meu desejo

Ainda o meu sonho
o meu grito
o meu braço
a sustentar o meu Querer

E nas sanzalas
nas casas
no subúrbios das cidades
para lá das linhas
nos recantos escuros das casas ricas
onde os negros murmuram: ainda

O meu desejo
transformado em força
inspirando as consciências desesperadas.

(Sagrada esperança)
Poesia Africana
Lá no horizonte
o fogo
e as silhuetas escuras dos imbondeiros
de braços erguidos
No ar o cheiro verde das palmeiras queimadas

Poesia africana

Na estrada
a fila de carregadores bailundos
gemendo sob o peso da crueira
No quarto
a mulatinha dos olhos meigos
retocando o rosto com rouge e pó de arroz
A mulher debaixo dos panos fartos remexe as ancas
Na cama
o homem insone pensando
em comprar garfos e facas para comer à mesa

No céu o reflexo
do fogo
e as silhuetas dos negros batucando
de braços erguidos
No ar a melodia quente das marimbas

Poesia africana

E na estrada os carregadores
no quarto a mulatinha
na cama o homem insone

Os braseiros consumindo
consumindo
a terra quente dos horizontes em fogo.

(No reino de Caliban II – antologia
panorâmica de poesia africana de ex-
pressão portuguesa)
Fogo e ritmo
Sons de grilhetas nas estradas
cantos de pássaros
sob a verdura úmida das florestas
frescura na sinfonia adocicada
dos coqueirais
fogo
fogo no capim
fogo sobre o quente das chapas do Cayatte.
Caminhos largos
cheios de gente cheios de gente
em êxodo de toda a parte
caminhos largos para os horizontes fechados
mas caminhos
caminhos abertos por cima
da impossibilidade dos braços.
Fogueiras
dança
tamtam
ritmo

Ritmo na luz
ritmo na cor
ritmo no movimento
ritmo nas gretas sangrentas dos pés descalços
ritmo nas unhas descarnadas
Mas ritmo
ritmo.

Ó vozes dolorosas de África!

(Sagrada esperança)
Fire and rhythm
The sound of chains on the roads
the songs of birds
under the humid greenery of the forest
freshness in the smooth symphony
of the palm trees
fire
fire on the grass
fire on the heat of the Cayatte plains
Wide paths
full of people full of people
an exodus from everywhere
wide paths to closed horizons
but paths
paths open atop
the impossibility of arm
fire
dance
tum tum
rhythm

Rhythm in light
rhythm in color
rhythm in movement
rhythm in the bloody
cracks of bare feerhythm on torn nails
yet rhythm
rhythm

Oh painful African voices

(Sacred hope)
kinaxixi
Gostava de estar sentado
num banco do kinaxixi
às seis horas duma tarde muito quente
e ficar…
Alguém viria
talvez sentar-se
sentar-se ao meu lado
E veria as faces negras da gente
a subir a calçada
vagarosamente
exprimindo ausência no kimbundu mestiço
das conversas
Veria os passos fatigados
dos servos de pais também servos
buscando aqui amor ali glória
além uma embriagues em cada álcool
Nem felicidade nem ódio
Depois do sol posto
acenderiam as luzes
e eu
iria sem rumo
a pensar que a nossa vida é simples afinal
demasiado simples
para quem está cansado e precisa de marchar.

(Sagrada esperança)
Noite
Eu vivo
nos bairros escuros do mundo
sem luz nem vida.

Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.

São bairros de escravos
mundos de miséria
bairros escuros.

Onde as vontades se diluíram
e os homens se confundiram
com as coisas.

Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.

Também a noite é escura.

(Sagrada esperança)
Noche
yo vivo
en los barrios oscuros del mundo
sin luz ni vida.

voy por las calles
a tientas
apoyado en mis informes sueños
tropezando con la esclavitud
a mi deseo de ser.

barrios oscuros
mundos de miseria
donde las voluntades se diluyeron
con las cosas.

ando a los tropezones
por las calles sin luz
desconocidas
impregnadas de mística y terror
del brazo con fantasmas.

también la noche es oscura.

(Sagrada esperanza)
Consciencialização
Medo no ar!

Em cada esquina
sentinelas vigilantes incendeiam olhares
em cada casa
se substituem apressadamente os fechos velhos
das portas
e em cada consciência
fervilha o temor de se ouvir a si mesma

A historia está a ser contada
de novo

Medo no ar!

Acontece que eu
homem humilde
ainda mais humilde na pele negra
me regresso África
para mim
com os olhos secos.

(Sagrada esperança)

Civilização ocidental
Latas pregadas em paus
fixados na terra
fazem a casa

Os farrapos completam
a paisagem íntima

O sol atravessando as frestas
acorda o seu habitante

Depois as doze horas de trabalho
Escravo

Britar pedra
acarretar pedra
britar pedra
acarretar pedra
ao sol
à chuva
britar pedra
acarretar pedra

A velhice vem cedo

Uma esteira nas noites escuras
basta para ele morrer
grato
e de fome.

(Sagrada esperança)
Adeus à hora da largada
Minha Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
tu me ensinaste a esperar
como esperaste nas horas difíceis

Mas a vida
matou em mim essa mística esperança

Eu já não espero
sou aquele por quem se espera

Sou eu minha Mãe
a esperança somos nós
os teus filhos
partidos para uma fé que alimenta a vida

Hoje
somos as crianças nuas das sanzalas do mato
os garotos sem escola a jogar a bola de trapos
nos areais ao meio-dia
somos nós mesmos
os contratados a queimar vidas nos cafezais
os homens negros ignorantes
que devem respeitar o homem branco
e temer o rico
somos os teus filhos
dos bairros de pretos
além aonde não chega a luz elétrica
os homens bêbedos a cair
abandonados ao ritmo dum batuque de morte
teus filhos
com fome
com sede
com vergonha de te chamarmos Mãe
com medo de atravessar as ruas
com medo dos homens
nós mesmos

Amanhã
entoaremos hinos à liberdade
quando comemorarmos
a data da abolição desta escravatura

Nós vamos em busca de luz
os teus filhos Mãe
(todas as mães negras
cujos filhos partiram)
Vão em busca de vida.

(Sagrada esperança)

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O Senhor Jesus Cristo Salvador do mundo

“Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu Seu Filho Unigênito para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

O Filho Unigênito e Encarnado de Deus, o Senhor Jesus Cristo, é o Salvador da humanidade. Pela vontade de Deus Pai e por piedade a nós, pecadores, Ele veio ao mundo tornando-se humano. Pela Sua palavra e pelo Seu exemplo passou a ensinar como era necessário crer e viver para tornar-se justo e digno do cognome de Filho de Deus, e fazer parte da Sua vida eterna, repleta de graças. Para nos purificar dos pecados e vencer a morte, Ele morreu na cruz e ressuscitou no terceiro dia. Agora, como Deus-homem, encontra-se nos céus, ao lado do Pai. Jesus Cristo é o chefe do Reino de Deus, por Ele criado, que é a Igreja, na qual se salvam os que crêem, guiados e fortalecidos pelo Espírito Santo. Antes do final do mundo, Jesus Cristo retornara à terra, para julgar os vivos e os mortos. Então virá o Seu Reinado de Glória, o paraíso, onde os redimidos alegrar-se-ão eternamente. Assim foi vaticinado e nós acreditamos que assim será.

Aguardando
a vinda do Messias
O evento magno na vida da humanidade é a vinda do Filho de Deus à Terra. Para isto, Deus preparou os homens, sobretudo o povo hebreu, no decorrer de vários milénios. Em meio a esse povo, Deus destacava profetas que prediziam a vinda do Salvador do Mundo – do Messias – e, com isso, introduziam as bases da crença Nele. Além do mais, Deus, no decorrer de muitas gerações, começando por Noé, a seguir por Abraão, Davi e outros homens justos, purificava aquele invólucro do qual Messias deveria vir a encarnar. Afinal, foi assim que nasceu a Virgem Maria, que se tornou digna de ser a Mãe de Jesus Cristo.
Concomitantemente, Deus direcionava também a conjuntura política do velho mundo no sentido de que a vinda do Messias fosse auspiciosa e para que seu reino benfazejo se difundisse amplamente entre as pessoas. Desse modo, à época da vinda do Messias, vários povos pagãos entraram na composição de uma só nação – a do Império Romano. Este fato possibilitou aos discípulos de Cristo viajarem sem empecilhos por todos os países do vasto império romano. A ampla difusão da língua grega, largamente falada, favorecia as comunidades cristãs esparramadas por territórios distantes, no sentido de manterem contato entre si. Os Evangelhos e as epístolas apostólicas foram escritos em grego. Em decorrência da aproximação de culturas de diferentes povos, bem como do desenvolvimento da ciência e da filosofia, a crença nas divindades pagãs foi muito abalada. Os homens passaram a ansiar por respostas satisfatórias às suas indagações religiosas. Cabeças pensantes do mundo pagão entendiam que a sociedade chegava a um beco sem saída e passaram a exprimir suas esperanças no sentido da vinda do Transformador e Salvador da humanidade.

A Vida Terrena de
Nosso Senhor Jesus Cristo
Para o nascimento do Messias, Deus escolheu a pura Virgem Maria, do ramo do rei Davi. Maria era órfã, criada pelo ancião José, seu parente distante, residente em Nazaré, uma das cidadezinhas do norte da Terra Santa. O Arcanjo Gabriel, aparecendo, informou à Virgem Maria sobre Sua escolha, por Deus, para vir a ser Mãe do Seu Filho. Quando a Virgem Maria concordou humildemente, o Espírito Santo desceu sobre Ela e Ela concebeu o Filho de Deus. O conseqüente nascimento de Jesus Cristo ocorreu em Belém, pequena cidade judaica, onde outrora nascera o rei Davi, ancestral de Cristo. (Os historiadores datam o nascimento de Jesus Cristo entre os anos 749-754 da fundação de Roma). A contagem d.C. inicia-se em 754, após a fundação de Roma.
A vida, os milagres e diálogos de Jesus Cristo acham-se relatados em quatro livros, chamados Evangelhos. Os três primeiros evangelistas, Mateus, Marcos e Lucas narram os acontecimentos da sua vida ocorridos sobretudo na Galiléia – localizada no norte da Terra Santa. O Evangelista João completa as narrativas com acontecimentos ocorridos nas terras de Jerusalém.
Até a idade de trinta anos, Jesus Cristo viveu com sua mãe, a Virgem Maria, na casa de José, em Nazaré. Com a idade de doze anos, dirigiu-se com os pais, a Jerusalém, para a festa da páscoa, passando três dias no templo, dialogando com os sábios. Sobre outras particularidades da vida do Salvador, em Nazaré, nada se sabe, além do fato de que auxiliara José, no ofício da carpintaria. Como pessoa, Jesus Cristo cresceu e desenvolveu-se como os demais seres humanos.
No trigésimo ano de vida recebeu o batismo do Profeta João, no rio Jordão. Antes de iniciar sua vida pública, dirigiu-se para o deserto onde jejuou durante quarenta dias, sendo tentado pelo demônio. Jesus iniciou sua vida pública na Galiléia, escolhendo doze apóstolos. O milagre da transformação da água em vinho, realizado por Jesus Cristo, nas bodas de Caná, na Galiléia, fortaleceu a fé dos Seus discípulos. Após passar algum tempo em Cafarnaum, dirigiu-se a Jerusalém, para a festa da Páscoa. Ali, pela primeira vez, despertou a ira contra si dos sacerdotes hebreus e sobretudo dos fariseus, quando enxotou os vendedores do templo. Após a Páscoa, Jesus Cristo reuniu seus apóstolos, os instruiu e os enviou para apregoar a aproximação do Reino de Deus. Ele próprio peregrinou pela Terra Santa, pregando, reunindo discípulos e divulgando ensinamentos sobre o Reino de Deus.
Jesus Cristo demonstrou Sua origem Divina com muitos milagres e profecias. As forças da natureza Lhe obedeciam. Por exemplo: ao seu comando, a tempestade cessou; caminhou sobre as águas como em terra firme; multiplicando cinco pães e alguns peixes, alimentou enorme multidão; transformou água em vinho. Ressuscitava mortos, exorcizava demônios e curava enfermos. Jesus Cristo sempre evitou a glória dos homens. Para Suas necessidades, Jesus Cristo jamais recorreu ao Seu infinito poder. Todos os seus milagres acham-se transpassados por profunda comiseração para com os homens. Seu milagre supremo foi a Sua própria ressurreição dos mortos. Com a ressurreição, subjugou o poder da morte e deu início a nossa ressurreição dos mortos, que ocorrerá ao final dos tempos.
Os evangelistas relataram muitas profecias de Jesus Cristo. Várias delas concretizaram-se ainda no tempo dos apóstolos. Dentre elas constam a profecia da negação de Pedro, a traição de Judas, a crucificação e a ressurreição de Cristo, o Pentecostes, os milagres realizados pelos apóstolos, as perseguições pela fé, a queda de Jerusalém e outros. Algumas profecias de Cristo, referentes ao fim dos tempos, começam a se realizar, por exemplo: a divulgação do Evangelho em todo o mundo, a depravação, a perda da fé, as terríveis guerras, os terremotos etc. Algumas profecias, como a ressurreição dos mortos, a Segunda vinda de Cristo, o fim do mundo e o juízo final estão ainda por ocorrer.
Com Seu poder sobre a natureza e Seu conhecimento sobre o futuro, Jesus Cristo comprovou a verdade dobre seus ensinamentos, bem como que é verdadeiramente o Filho Unigênito de Deus.
A vida pública de Jesus Cristo durou cerca de três anos. Os sacerdotes, os sábios do templo e os fariseus não aceitaram os seus ensinamentos e, invejosos de seus milagres e progressos, buscavam uma oportunidade para matá-lo. Enfim, ela se apresentou. Após o Salvador Ter ressuscitado Lázaro, seis dias antes da Páscoa, cercado e aclamado pelo povo, como filho de Davi e rei dos judeus, adentrou na cidade de Jerusalém. O povo Lhe fazia reverências. Jesus Cristo dirigiu-se diretamente ao templo, mas vendo que os sumo-sacerdotes transformaram a casa de oração em antro de marginais, expulsou todos os vendilhões do templo. Isto despertou a ira dos sacerdotes e fariseus e eles decidiram acabar com Ele. Enquanto isso, Jesus Cristo ensinava o povo no templo. Na quarta-feira, um de seus apóstolos, Judas Escariotes, ofereceu aos membros do Sinédrio trair seu Mestre por trinta moedas de prata. Esta oferta foi muito bem recebida pelos sumo-sacerdotes.
Na quinta-feira Jesus Cristo desejando comemorar a Páscoa com seus discípulos, dirigiu-se de Betânia para Jerusalém, onde Pedro e João prepararam o recinto para a comemoração. Chegando ao anoitecer, Jesus Cristo deu um grande exemplo de humildade, lavando os pés de seus discípulos, coisa que pela tradição judaica era tarefa dos servos. Depois, sentando-se com eles, comemoraram a Páscoa do Velho Testamento. Depois, Ele definiu a Páscoa do Novo Testamento – a Eucaristia. Tomou o pão, deu graças e distribuiu aos seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: Este é Meu corpo, que é dado por vós.” Depois tomou o cálice e deu-lhes, dizendo: “Bebei dele todos: Isto é Meu sangue, símbolo da nova aliança, que é derramado por muitos, pela remissão dos pecados.” Depois disto, conversou pela última vez sobre o Reino de Deus com seus discípulos. Em seguida, acompanhado de três discípulos – Pedro, Tiago e João, dirigiu-se a um lugar chamado Getsemani, onde rezou até transpirar sangue, sabedor do cálice que estava por receber.
Então chegou Judas, acompanhado de um bando armado enviado pelos sumo-sacerdotes. Judas traiu seu mestre com um beijo. Enquanto Caifás reunia o conselho, os soldados levaram Jesus à casa do sumo-sacerdote; dali Ele foi levado à presença de Caifás, onde tarde da noite realizou-se o Seu julgamento. Apesar de terem sido convocadas várias testemunhas, ninguém pode atestar algo que desse causa à sua condenação à morte. Então, quando Jesus Cristo afirmou ser Filho de Deus e o próprio Messias, foi acusado de blasfemo, o que deveria ser punido com a pena capital.
Na sexta-feira pela manhã, os sumo-sacerdotes, juntamente com os membros do conselho, dirigiram-se ao procurador romano Pilatos, para que este confirmasse a sentença. Inicialmente, Pilatos não concordou, pois não viu culpa em Jesus. Então os judeus começaram a ameaçá-lo dizendo que iriam denunciá-lo a Roma, e então Pilatos confirmou a sentença. Jesus foi entregue aos soldados romanos. Perto das 12 horas, juntamente com dois bandidos, Jesus foi levado ao Gólgota – um pequeno monte na parte ocidental dos muros de Jerusalém – e lá foi crucificado. Resignadamente aceitou Ele esta condenação. Era meio dia. Repentinamente o sol escureceu, e por três horas as trevas cobriram a terra. Depois disto, Jesus bradou ao Pai: “Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?.” Depois, vendo que tudo o que havia sido profetizado no antigo testamento se passou Ele disse: “Está tudo consumado! Pai, em Tuas mãos! entrego o meu espírito..” Seguiram-se vários fenômenos. O véu do templo rasgou-se de alto a baixo em duas partes e a terra tremeu. Vendo isso, até o centurião exclamou: “Verdadeiramente Este era o Filho de Deus.”
Ninguém teve dúvidas quanto à morte de Jesus. Dois membros do conselho, José e Nicodemos, que também secretamente eram discípulos de Jesus, receberam autorização de Pilatos para tirar o corpo de Jesus morto e sepultá-lo num sepulcro de propriedade de José, próximo do Golgota. Os membros do Sinédrio tomaram todas as providências para que o corpo de Jesus não fosse roubado por seus discípulos, fechando a entrada do sepulcro e designando uma escolta para vigiar o mesmo. Tudo foi feito às pressas, já que, naquela noite, iniciava-se a festa da Páscoa.
No Domingo (provavelmente 8 de abril), terceiro dia após Sua morte na cruz, Jesus Cristo ressuscitou dos mortos e abandonou o sepulcro. Depois disto, um anjo enviado do céu removeu a pedra da entrada do sepulcro. As primeiras testemunhas disto foram os soldados que vigiavam o sepulcro. Apesar deles não terem visto a ressurreição de Cristo, eles testemunharam que quando o anjo removeu a pedra o sepulcro já estava vazio. Assustados com a visão do anjo, os soldados correram. Maria Madalena e outras mulheres que estavam com ela foram ao sepulcro para ungir o corpo do seu Senhor e Mestre e encontraram o mesmo vazio. Elas tiveram a honra de ver o próprio Salvador Ressuscitado e ouvir dele: “Regozijem-se!” Além de Maria Madalena, Jesus apareceu para vários de seus apóstolos em diversas ocasiões. Em algumas destas ocasiões os discípulos puderam inclusive tocar o corpo Dele para certificarem-se que não se tratava de uma mera visão. No período de quarenta dias Jesus conversou com seus apóstolos várias vezes, deixando seus últimos ensinamentos.
No quadragésimo dia, Jesus Cristo ascendeu aos céus na presença de todos seus discípulos. De acordo com nossa crença, Jesus Cristo está sentado à direita de Deus Pai, ou seja, possui com Ele um só poder. Ele retornará antes do fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos, após o que terá início o Seu Glorioso e Eterno Reino, onde os justos resplandecerão como o sol.

Da Aparência de
Nosso Senhor Jesus Cristo
Os Santos Apóstolos, quando escreveram a vida e os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, não citaram quaisquer características sobre sua aparência. Para eles, o importante era fixar os seus ensinamentos.
Na Igreja Oriental existe a crença sobre o ícone do rosto do Salvador. De acordo com ela, o artista enviado pelo rei Avgar tentou várias vezes, sem sucesso, retratar a face de Jesus. Então Jesus chamou o artista, pegou sua tela e ao encostá-la contra Sua face, nesta ficou impressa a Sua imagem. Tendo recebido esta imagem de seu artista, o rei Avgar curou-se de lepra. A partir daí, esta milagrosa imagem do Salvador tornou-se famosa na Igreja Oriental e dela se faziam várias cópias. Existem registros sobre a imagem original em relatos do historiador armênio Moisés Xorenski, do historiador grego Evaghi e de São João Damasceno.
Na Igreja Ocidental existe a crença da imagem de Santa Verônica, a qual teria dado um pano a Jesus quando Este se dirigia ao Gólgota, para que Ele limpasse o suor de Seu rosto. Neste pano teria ficado a imagem de Seu rosto e, posteriormente, este pano teria sido levado ao Ocidente.
Na Igreja Ortodoxa é hábito representar o Salvador em ícones e afrescos. Estas representações não têm por objetivo retratar fielmente a Sua aparência. Elas servem para lembrar-nos, simbolicamente, elevando nosso pensamento para Aquele que está representado. Visualizando a imagem do Salvador, nós nos lembramos de Sua vida, de Sua paixão, de Seus milagres e ensinamentos. Lembramo-nos de como Ele, Onipresente, está conosco, vendo nossas dificuldades e ajudando-nos. Isto eleva nosso pensamento a orar: “Jesus, Filho de Deus, Tem Piedade de Nós!”
A imagem do Salvador também está registrada no “Sudário de Turim.” Um lençol que teria servido de mortalha para o corpo de Jesus retirado da Cruz. Visualizar a imagem registrada no Sudário se tornou possível em tempos relativamente recentes, com o auxílio da fotografia e da tecnologia dos computadores. As imagens obtidas com estas tecnologias possuem uma espantosa semelhança com alguns antigos ícones bizantinos (estas semelhanças, às vezes, atingem 45 ou até 60 pontos, o que na opinião dos especialistas não pode ser considerado casualidade). Estudando o Sudário de Turim os especialistas concluíram que nele está a imagem em negativo de um homem de cerca de 30 anos, com uma altura de 1,81cm e de grande complexão física (o que é muito mais que a média de seus contemporâneos).
Ensinamentos de Nosso
Senhor Jesus Cristo quanto
À Fé e ao Modo Cristão de Viver
Sobre seus ensinamentos, Jesus Cristo diz: “Para isto eu nasci e vim ao mundo, para dar testemunho da verdade; todo o que está pela verdade, ouve a minha voz” (João 18:37). Por isso nós devemos considerar cada palavra de Jesus como Verdade e baseado nesta verdade orientar a nossa conduta.
Jesus Cristo ensinou que Ele é o Salvador do gênero humano. “O Filho do Homem veio salvar o que se tinha perdido…para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mateus 18:11; 20:28). O Filho de Deus assumiu a missão de salvar os Homens, obedecendo a vontade de Seu Pai, o qual “amou de tal modo o mundo, que lhe deu Seu Filho Unigênito para que todo o que crê Nele não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).
Jesus Cristo ensinou que Ele possui uma única natureza com Deus Pai (“Eu e o Pai – somos Um”), que Ele “desceu dos céus” e “está nos Céus” ao mesmo tempo, isto é, Ele coexiste na terra como homem e no céu como Filho de Deus, sendo Deus-Homem (João 3:13; João 10:30). Por isto, todos devem honrar o Filho, do mesmo modo que honram ao Pai. Quem não honra ao Filho, não honra ao Pai que O enviou (João 5:23). A verdadeira natureza divina foi professada por Jesus Cristo antes de Seu martírio na cruz, perante o Sinédrio, dando causa à sua condenação. Os membros do conselho assim comunicaram a Pilatos sua decisão: “Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus” (João 19:7).
Afastando-se de Deus, as pessoas confundiram-se em suas crenças sobre o Criador, sobre Sua natureza imortal, sobre o objetivo desta vida, sobre o bem e o mal. Jesus Cristo revela ao homem os pilares da fé e da vida, orienta seu pensamento e sua conduta. Tendo Jesus como fundamento, os apóstolos escrevem: “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles e pregando o Evangelho do Reino” (Mateus 9:35), divulgando a chegada do Reino de Deus entre os homens. Freqüentemente Jesus Cristo iniciava seus ensinamentos com as palavras: “O Reino de Deus se assemelha….” Daí, devemos concluir que, pela vontade de Jesus, o gênero humano é chamado a buscar a salvação não individualmente, mas de modo coletivo, como uma única família espiritual, usufruindo dos meios por Ele deixados à Igreja. Pode-se definir estes meios em duas palavras: a graça e a verdade. Graça – força invisível vinda do Espírito Santo, que ilumina a mente do homem, orientando sua vontade para o bem, fortificando suas forças espirituais, trazendo-lhe a paz interior e a felicidade, santificando todo o seu ser.
Falando sobre salvação, Jesus ensinava sobre as condições necessárias para que o indivíduo fosse admitido em Seu reino, o modus vivendi e os objetivos cristãos, bem como sobre a natureza de Seu reino. Vamos agora tratar destes ensinamentos:
Como Entrar no Reino de Deus?
O primeiro passo desta jornada é Ter Fé em Jesus Cristo, como o enviado de Deus para salvar o mundo – aceitar que Ele é o caminho, a verdade e a vida, e que ninguém vai ao Pai senão por Ele. Quando perguntado pelos judeus sobre o que eles deveriam fazer para agradar a Deus, Jesus respondeu: “…creiais Naquele que Ele enviou” (João 6:29). “Aquele que crê no Filho terá a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João, 3:36). Nossa crença em Jesus Cristo deve ser não somente a aceitação Dele como Filho de Deus, mas deve ser como a fé das crianças em seus pais – devemos simplesmente aceitar, de todo coração, os Seus ensinamentos – sem qualquer interpretação ou dúvida. É uma fé assim que Deus espera de nós. “Se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mateus 18:3). Esta fé sincera no Salvador ilumina o discernimento humano, conduzindo toda sua existência pela promessa do Salvador: “Eu sou a luz do mundo, aquele que Me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12).
Atraindo as pessoas para Seu reino, Jesus convida-os a seguir uma vida digna dizendo: “Arrependei-vos, pois é chegado o reino dos céus” (Mateus 4:17). Arrepender-se, quer dizer reconhecer todas as suas faltas, modificar seu modo de vida e, com a ajuda de Deus, iniciar uma nova vida fundada no amor a Deus e ao próximo.
Porém, para iniciar uma nova vida não basta a vontade, é fundamental a ajuda de Deus, a qual é dada ao crente pelo Santo Batismo. Pelo Batismo são perdoados todos os pecados do indivíduo, ele nasce para uma vida espiritual e torna-se membro do Reino de Deus. Sobre o Batismo, disse Jesus: “em verdade vos digo, aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne, é carne e o que nasceu do espírito é o espírito” (João 3:5-6). Posteriormente, mandando seus discípulos pregar, Disse-lhes: “Ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que Eu vos tenho ensinado” (Mateus 28:18). Quem crer e batizar-se será salvo, mas quem não crer será condenado (Marcos 16:10). As palavras “todas as coisas que vos tenho ensinado” confirmam o valor dos ensinamentos de nosso Salvador, que são essenciais para nossa salvação.
Vida Cristã
Nas “bem-aventuranças” (Mateus cap. 5) Jesus traçou o perfil de uma vida cristã. Ela deve ser fundada na humildade, arrependimento, caridade, pureza de sentimentos, paz e na crença em Deus. Com as palavras “Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o reino dos céus” Jesus chama o homem à humildade, o reconhecimento de sua pecaminosidade e de sua fraqueza espiritual.
A humildade é a base da salvação do gênero humano. Da humildade deriva o arrependimento – o reconhecimento de suas faltas, e “Bem-aventurados os que choram, pois eles serão consolados” – receberão o perdão e a paz de espírito. Obtendo a paz de espírito, o indivíduo torna-se pacífico e amante da paz. “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.” Receberão aquilo que nos é tirado por indivíduos agressivos e ímpios. Purificando-se pelo arrependimento, o homem tem necessidade da verdade e da caridade. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois eles serão saciados,” ou seja, com a ajuda de Deus eles a receberão. Sentindo a graça de Deus em si, o indivíduo começa a percebê-la em seus semelhantes. “Bem aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.” O misericordioso purifica-se do pecaminoso sentimento de avareza pelos bens materiais, quando é tocado pelo amor de Deus, como um raio de luz solar atinge o fundo de um lago de águas plácidas. “Bem-aventurados os limpos de coração, pois eles verão a Deus.” Esta luz dá ao homem a sabedoria necessária para conduzir espiritualmente seus próximos, deixando-os em paz consigo mesmos, com seu próximo e com seu Criador. “Bem-aventurados os pacificadores porque eles serão chamados filhos de Deus.” O mundo ímpio não suporta a conduta dos justos e levanta-se contra eles. Mas nada deve-se temer, pois “Bem-aventurados os que sofrem perseguição em nome da justiça, porque deles é o reino dos céus.”
No sermão da montanha (Mateus 5 a 7), Jesus nos ensina a não sermos vingativos, a vencer a ira, a sermos justos, sábios, a perdoar nossos inimigos, a buscarmos o sentimento de verdade que existe em nosso coração; explica como devemos dar esmolas, jejuar e orar, para que estas obras sejam aceitas perante Deus. A seguir, chama-nos a confiar em Deus e a não julgar nosso próximo e a praticar a caridade constantemente.
Cristo ensinava que não devemos nos afeiçoar aos bens terrenos, pois “de que vale ao homem conquistar todos os tesouros da terra e perder sua alma” (Marcos 8:36-37); pois a pessoa que se dedica ao enriquecimento material acaba afastando-se de Deus, pois “onde estão teus tesouros, lá está teu coração” (Lucas 12:34). Estar em comunhão espiritual com Deus: esta é a maior graça que podemos ter. Por isto Cristo diz: “Buscai primeiro o reino dos céus e a sua justiça e todas estas coisas serão acrescidas.” Falando sobre o valor espiritual do reino de Deus, Jesus Cristo, em uma de suas parábolas, comparou-o à uma pérola, pela qual um esperto mercador vendeu todos os seus bens para poder adquiri-la (Mateus 13:45-46).
A salvação da alma deve ser a principal preocupação do homem. O caminho da purificação espiritual costuma ser árduo. Por isso, “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela” (Mateus 7:13-14). As provações terrenas devem ser aceitas com resignação pelo homem como sua cruz: “Se alguém quiser vir após Mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24), em realidade, “o reino dos Céus adquire-se à força e os que se esforçam apoderam-se Dele (Mateus, 11:12). É de fundamental importância invocar a ajuda de Deus para que nos auxilie e nos ilumine nesta jornada: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito na verdade, está pronto, mas a carne é fraca… na vossa paciência salvai vossas almas” (Marcos 14:38; Lucas 21:19).
Tendo vindo ao mundo em função de Seu infinito amor por nós, o Filho de Deus ensinava seus seguidores a colocar o amor como fundamento de sua vida, dizendo: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento; e o segundo, semelhante a este é: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Mateus 22:37-39). O Meu mandamento é este: “Que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei” (João 15:12).
O amor ao próximo deve ser externado pela caridade: “Quero misericórdia e não sacrifícios.” Falando sobre a cruz, o sofrimento e o caminho estreito, Cristo nos fortalece com sua promessa: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, que Sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve” (Mateus 11:28-30). Tanto as bem-aventuranças quanto todos os ensinamentos do Salvador são cheios de fé na vitória do bem sobre o mal e na alegria do reino de Deus. “Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus” (Mateus 5:12). “Eu estarei com vocês até o fim dos tempos” (Mateus 28:20), e promete que todo aquele que crê Nele não perecerá, mas receberá a vida eterna (João 3:15).
A natureza do Reino de Deus
Para esclarecer seus ensinamentos sobre o Reino de Deus, Jesus Cristo utilizava-se de exemplos da vida real, parábolas. Comparou o Reino de Deus a uma criação de ovelhas, que vivem em lugar tranqüilo e em segurança, sendo apascentadas por um bondoso pastor, o Cristo.
“Eu sou o Bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das Minhas sou conhecido… O Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas…Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a Minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor… Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a toma-la. Ninguém ma tira de Mim, mas Eu de Mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi do meu Pai” (João 10).
Nesta comparação do Reino de Deus a um rebanho de ovelhas, frisa-se a unidade da Igreja. Uma grande quantidade de ovelhas estão num cercado, possuem a mesma fé e o mesmo modo de vida. Todas têm o mesmo Pastor – Cristo. Sobre a unidade dos fiéis, Jesus Cristo rogou ao Pai antes de seu martírio, dizendo: “Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o és em Mim, e Eu em Ti, que também eles sejam um em Nós” (João 17:21). O princípio unificador do Reino de Deus é o amor do Pastor para com as ovelhas e vice-versa. O amor para com Cristo é expresso na obediência para com Ele, na ânsia de viver segundo Sua vontade. “Se Me amais, segui os Meus mandamentos: o amor mútuo entre os que creem é a maior sintonia do Reino de Deus” (João 14:15). “Nisto todos conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (João 13:35). A graça e a verdade são os dois tesouros que o Senhor levou à Sua Igreja, constituindo-se em suas características essenciais básicas (João 1:17).
O Senhor prometeu aos apóstolos que o Espírito Santo conservará em Sua Igreja, até o fim dos tempos, o ensino verdadeiro, sem desvios. “E eu rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre. O Espírito da Verdade, O Qual o mundo não pode conter… Ele os instruirá de toda a verdade” (João 14:16-17). Acreditamos, desta maneira, que as bênçãos benfazejas do Espírito Santo permanecem na Igreja, transmitindo-se até o final dos tempos, revivificando seus membros e saciando sua sede espiritual: “Aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte d’água que salte para a vida eterna” (João 4:14).
Assim como os reinos terrenos necessitam de um ordenamento jurídico para regular e possibilitar sua existência, assim também a Igreja recebeu de Jesus Cristo o ordenamento necessário à salvação dos seus membros – os ensinamentos do evangelho, os Sacramentos e os guias espirituais, o clero da Igreja. Assim Ele disse aos discípulos: “Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós, e havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (João 20:21,22). Aos pastores da Igreja Ele incumbiu de ensinar aos fiéis, purificar sua consciência e vivificar suas almas. Os pastores devem seguir ao Pastor Supremo no seu amor para com as ovelhas; já as ovelhas devem respeitar seus pastores, seguir seus ensinamentos, de acordo com as palavras de Jesus: “Quem vos ouve a vós, a Mim Me ouve, e quem vos rejeita a vós, a Mim Me rejeita” (Lucas 10:16).
O ser humano não se torna um justo imediatamente. Na parábola da Cizânia (Mateus, 13:24), Cristo explica que tal qual as ervas daninhas crescem em meio ao trigo num campo semeado, também entre os dignos membros da Igreja, encontram-se membros indignos. Alguns pecam por ignorância, inexperiência ou fraqueza espiritual, mas arrependem-se de seus pecados e buscam corrigir-se; outros persistem nos seus erros, menosprezando a grande paciência Divina. O principal dissimulador de tentações e de todos os males entre os homens é o demônio. Falando sobre a Cizânia no Seu reino, o Senhor conclama todos a lutar contra as tentações e orar: “Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do malígno.”
Conhecendo a fragilidade espiritual e a inconstância dos fiéis, Cristo investiu os Apóstolos com o poder de perdoar os pecados: “Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos” (João 20:23). O perdão dos pecados pressupõem que o pecador arrepende-se sinceramente de seus pecados e deseja corrigir-se. Porém o mal não será tolerado eternamente no Reino de Cristo. “Todo aquele que comete pecado é escravo do pecado; ora o servo não fica para sempre em casa, o Filho fica para sempre; se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:34-36). Aos indivíduos que persistem em seus pecados ou não se submetem aos ensinamentos da Igreja, Cristo determinou sua exclusão do seio da Igreja. “Se não escutar a Igreja, considera-o como um gentio e publicano” (Mateus 18:17).
No Reino de Deus concretiza-se a verdadeira unidade dos crentes com Deus e de um com o outro. O princípio unificado da Igreja é a natureza Divina e humana de Cristo, da qual os crentes comungam durante o sacramento da Comunhão. Na Comunhão, a natureza divina de Deus-Homem, penetra misticamente nos fiéis, como foi dito: “Nós (Pai, Filho e Espírito Santo) viremos para ele e nele faremos morada. Assim o Reino de Deus penetra no homem” (João 14:23, Lucas 17:21). Jesus frisava a importância da comunhão com as seguintes palavras: “Em verdade vos digo, que se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o Seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos; quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia” (João 6:53-54). Sem a unidade com Cristo, o homem, tal qual um ramo quebrado, murcha espiritualmente, não sendo capaz de praticar boas obras: “Como o ramo de si mesmo não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em Mim. Eu sou a videira, vós os ramos; quem está em Mim, e Eu nele, esse dá muitos frutos porque sem Mim nada podeis fazer” (João 15:4-5).
Tendo ensinado a Seus discípulos a importância de manterem a unidade com Ele, o Senhor, na Quinta-Feira Santa, na véspera de Seu martírio, instituiu o próprio Sacramento da Eucaristia, ordenando-lhes: “Fazei isto (o Sacramento) em Minha memória” (Lucas 22:19).
Jesus Cristo contrapunha ao mundo afundado no mal, o Seu Reino benfazejo, dizendo aos seus discípulos: “Eu vos tirei deste mundo, isto é, apartei-os dele, e Meu Reino não é deste mundo” (João 15:19; 18:36). “O príncipe deste mundo é o demônio, que é um lobo ardiloso, assassino e pai da mentira. Porém os filhos do Reino não devem temer o príncipe das trevas ou a sua horda.” “Agora o príncipe deste mundo será banido. Exultai, pois Eu venci o mundo” (João 16:33). O Reino de Cristo ficará até o final dos tempos e todos os esforços do demônio e de seus seguidores em destruir este Reino quebrar-se-ão qual as ondas contra o rochedo. Edificarei Minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mateus 16:18). Estas palavras nos garantem não apenas a existência física da Igreja até o fim dos tempos, mas também a manutenção de sua unidade espiritual, abundante de graça e de verdade.
Jesus Cristo ensinava com Sua palavra e com Sua conduta. Ele se constitui no mais perfeito exemplo de retidão. “Meu alimento é cumprir a vontade Daquele que Me enviou e realizar a Sua obra,” dizia Jesus. E cada palavra, gesto ou atitude Sua estavam repletos do desejo de executar a obra do Pai. Ao nos familiarizarmos com a vida de Jesus narrada nos Evangelhos, nós vemos em Suas atitudes grandes exemplos de bondade. Com isso, devemos entender que podemos imitar Cristo apenas no que está ao alcance de seres mortais. Não podemos ousar reproduzir suas atitudes privativas de Ser Superior, como a onisciência, o que é impossível a nós, porém podemos e devemos seguir Seu exemplo de benfeitor. É exatamente em Cristo que o homem encontra a imagem viva do ideal para o qual Ele conclamava todos os homens, dizendo: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” e “Se vós Me conhecêsseis a Mim, também conheceríeis a meu Pai” (Mateus 5:48 e João 14:7).

Conclusão
Assim, toda a vida e os ensinamentos do Salvador estavam direcionados para introduzir novos princípios espirituais na vida humana: a verdadeira fé, o amor vivo para com Deus e o próximo, a busca pela perfeição moral e pela santidade. Nestes princípios devemos edificar nossa visão de mundo e nossa vida.
A história do Cristianismo mostrou que nem todas as pessoas e povos são capazes de elevar-se aos altos princípios espirituais contidos no Evangelho. O crescimento do Cristianismo no mundo, por vezes, transcorria por caminhos espinhosos. Por vezes, o Evangelho era recebido pelas pessoas de modo superficial, sem o ânimo para uma conversão verdadeira; por vezes era negado e até se transformava em motivo de perseguição. Apesar disso, os elevados princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, hoje característicos em todos os Estados Democráticos modernos, praticamente foram retirados dos Evangelhos. Todas as tentativas para substituir os princípios evangélicos por outros produzem conseqüências catastróficas. Para se convencer disto, basta olhar para os resultados atuais do materialismo e do ateísmo. Assim, os cristãos da atualidade, tendo diante de si uma experiência histórica riquíssima, devem entender com clareza que só nos ensinamentos do Salvador poderão encontrar a diretriz correta para a solução de seus problemas familiares e sociais.
Edificando a nossa vida nos mandamentos de Cristo, nós nos consolamos com a idéia de que o Reino de Deus será vitorioso, e na Terra Renovada iniciar-se-á a paz prometida, a justiça, a alegria e a vida eterna. Rogamos a Deus para que nos torne dignos de herdar o Seu Reino!

Da natureza divina de Cristo
A crença na divindade de Jesus Cristo constitui-se a base de todas as nossas convicções religiosas. Ela introduz em nós forças espirituais, inspira-nos a proceder com bondade, direciona nossos atos e desejos. Sem isto, o Cristianismo perde sua razão de ser, sua força inspiradora e transforma-se numa coleção de mitos antigos e promessas impossíveis.
Mas, com toda sua importância extraordinária, a Divindade de Cristo não é evidente. Alguns textos, nos Evangelhos, até parecem contradizê-la. Por isso, os que negam a Divindade de Jesus não encontram dificuldades no encontro de tais textos Bíblicos, que parecem basear seu ponto de vista no sentido de que Jesus Cristo tivesse sido simplesmente humano ou, quem sabe, anjo incorporado, e por isso não pode ser chamado de Deus, no sentido específico do termo. Assim, os opositores da crença da Divindade de Jesus Cristo baseiam-se no fato de que o próprio Cristo nunca Se chamou de Deus, concluindo erroneamente que semelhante nome Lhe foi atribuído mais tarde.
Pontos de vista opostos, quanto à natureza de Cristo, começam a surgir desde o início do Cristianismo. No século IV, coube à heresia ariana provocar extremas discussões e desentendimentos ao afirmar que Jesus Cristo só se dizia chamar Filho de Deus, sendo, por sua natureza, um anjo criado por Deus. O arianismo foi analisado a fundo no primeiro Concílio de Nicéia, ocorrido em 325, onde se condenou a heresia ariana e introduziu-se o Credo, usado até hoje pela Igreja, onde se expõem com exatidão o ensinamento correto sobre Jesus Cristo.
Nos dias atuais, a seita das Testemunhas de Jeová, trouxe das cinzas a heresia ariana banida e, na sua versão, afirma que Jesus seria o Arcanjo Miguel incorporado. O perigo dos ensinamentos da seita reside no fato que dispondo de ilimitados recursos materiais ela inunda o mundo com sua literatura e seus ensinamentos. Sua atividade missionária notadamente agressiva está sendo levada a termo na Rússia, atraindo para suas redes destruidoras milhares de pessoas confiantes.
Os russos ortodoxos encontram-se em perigo especial frente aos sermões sectários, uma vez que em sua maioria estão pouco familiarizados com as Sagradas Escrituras e desconhecem a maneira de defender sua fé. Por outro lado, os propagadores sectários aprendem muito bem os textos que lhes são favoráveis e têm a capacidade de envolver seus ouvintes com suas citações e textos bem decorados.
Embora as Sagradas Escrituras denominem Jesus Cristo de Filho de Deus, os que duvidam de Sua natureza Divina baseiam-se na afirmação de que as mesmas fontes também chamam de filhos de Deus a outros seres como, por exemplo os anjos e as pessoas. Para resolver esta questão, deve-se ter em conta o seguinte: falando de seres humanos bem como de anjos, as Sagradas Escrituras nunca empregam o singular e jamais denominam uma determinada pessoa ou um certo anjo de Filho de Deus, mas sempre usam o plural, no sentido coletivo: filhos de Deus. Fica sempre evidente ao leitor tratar-se aí não de filhos de Deus quanto à natureza e sim quanto à caridade de Deus, que os recebe em Seu seio; e eles são filhos não quanto à natureza e sim adotados (no caso, entender ao pé da letra a palavra “filhos” pode levar à conclusão absurda de que algumas pessoas, como os inimigos de Deus, denominados nas Escrituras como “filhos do demônio” possuem natureza diversa dos que creêm).
Só com relação a Jesus Cristo as Sagradas Escrituras empregam o singular, chamando-O de Filho de Deus, além do que somente a Ele aplica tais vocábulos determinativos, como Unigênito, Amado, Filho de Deus Vivo, Filho Verdadeiro ou Próprio . Isso quer dizer que ao contrário de nós, Jesus Cristo é Filho de Deus por Natureza. Ele é Filho no sentido exato da palavra. Por isso, os mórmons admitem um erro inadmissível quando afirmam que Jesus Cristo teve outros irmãos-deuses, como por exemplo: Lúcifer (Satanás) e vários outros. As Escrituras diferenciam rigidamente o Filho dos filhos. O Primeiro é Nascido, os demais criados.
O próprio início dos ensinamentos de Jesus Cristo foi precedido pelo testemunho de Deus Pai a respeito de Seu Filho, dizendo: “Este é o Meu Filho amado em quem Me comprazo” (Mateus 3:17). Mais tarde, no monte Thabor, Deus Pai repete essas palavras, acrescentando: “Escutai-O” (Mateus 17:5). Isso indica que os homens devem aceitar tudo o que é dito por Jesus como verdade plena e indiscutível.
Mas o que poderia ser replicado aos contestadores da Divindade de Cristo, quando o Próprio Jesus diz: “Meu Pai é superior a Mim” (João 14:28). “…sobre aquele dia e aquela hora (o fim do mundo) ninguém sabe, nem os anjos de Deus, nem o Filho, só o Pai… O Filho nada pode fazer caso não veja o Pai fazendo…Minha alma está entristecida até a morte…Seja feita a Tua vontade e não a Minha” (Lucas 22:42) e frases semelhantes onde Ele se coloca em segundo plano, sujeito ao Pai. Além disso, se Jesus Cristo realmente se considerava Deus, por que Ele próprio não revelou abertamente? Com isto, Ele teria eliminado todas as dúvidas relativas à Sua Natureza.
A finalidades deste artigo é auxiliar o ortodoxo a entender as questões supra apresentadas e fornecer subsídios para a defesa de fé na Divindade de Cristo.
Para entender porque o Senhor Jesus Cristo não divulgou aos quatro ventos Sua Divindade, tentaremos transportar-nos, em pensamento, à época e às condições em que Ele pregou. Imaginemos a reação das pessoas às palavras de um peregrino que afirmasse: “Eu sou Deus!” Sem dúvida, a turba riria Dele taxando-o de louco e os seguidores do judaísmo se apressariam em declara-lo perjuro e a exigir Sua morte. Quem sabe só os pagãos, que possuíam muitas divindades, poderiam aceitar semelhante declaração de modo mais sério que o dos judeus, entendendo-o, é claro, de acordo com suas convicções. A propósito, lembramos a reação dos pagãos frente aos milagres do Apóstolo Paulo, de como desejaram proclamá-lo como um de seus deuses e oferecer-lhe oferendas (Atos 14:11). Nos nossos dias, o pregador que se declare como sendo Deus será simplesmente ignorado ou desprezado. Em qualquer caso, a declaração direta do Salvador de Sua Divindade traria resultado oposto do necessário a ser atingido.
De fato, o Filho de Deus veio ao mundo não para impressionar seus contemporâneos com Seu poder absoluto ou sujeitar pelo poder da Sua Divindade, quão escravos; mas para convencê-los a desviar-se verdadeiramente dos pecados e começar a crer correta e dignamente. As pessoas tornaram-se muito desespiritualizadas e moralmente brutas a ponto de serem incapazes de entender corretamente a verdadeira Divindade de Cristo. Lembremos, segundo os Evangelhos, como era difícil para Cristo pregar entre os judeus. Quantas gozações teve de suportar dos “doutores da lei” que combatiam Suas palavras e desviavam da fé os homens simples. Por isso, a primeira providência de Jesus Cristo foi no sentido de convencer os indivíduos a se voltarem, arrependidos, para Deus e a negarem seus conceitos religiosos, introduzindo em seus corações as sementes da verdadeira fé. Dado o primeiro passo era necessário convertê-los ao novo e verdadeiro modo de viver, ensinar a perdoar, a ter piedade e a amar seus semelhantes.
Mudanças espirituais tão profundas não podiam ser atingidas por ameaças ou por milagres. De fato, quando Jesus Cristo, por meio de algum milagre demonstrava a Sua natureza Divina, só fazia nascer em meio aos judeus reações insanas quanto ao reino messiânico poderoso aqui na terra, no qual seriam senhores sobre os demais povos. Por isso, o Senhor Jesus Cristo foi obrigado a proibir a divulgação de Seus milagres. Para renovar espiritualmente as pessoas e torná-las inclinadas a aceitar a verdadeira fé, Cristo escolheu o caminho da palavra bondosa da inspiração e o exemplo pessoal. A partir do compadecimento para com as pessoas condenadas, decidiu compartilhar sua miséria, suas privações e seus males. Para curar suas feridas espirituais, tomou sobre Si os cados humanos, lavando-os na cruz com Seu puríssimo sangue. Em geral, todo o problema de salvação do homem pecador, começando da Encarnação do Salvador e terminando pelos Seus padecimentos físicos, eram para Ele, questão de humilhação voluntária máxima. Nas palavras do apóstolo Paulo: “Cristo, sendo Ele de condição Divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniqüilou-Se a Si mesmo, assumindo a condição de servo e assemelhando-se aos homens” (Fil. 2:6-9).
O Profeta Isaías descreve do seguinte modo a imagem da auto humildade do Messias:
“Ele não tem beleza, nem formosura e vimo-lo, e não tinha aparência do que era, e por isso não fizemos caso Dele. Êle era desprezado e o último dos homens, um homem de dores; e experimentado no sofrimento; e o seu rosto estava encoberto; era desprezado e por isso nenhum caso fizemos Dele. Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas, e ele mesmo carregou com as nossas dores; e nós o reputamos como um leproso, e como um homem ferido por deus e humilhado. Mas foi ferido por causa de nossas iniquidades, foi despedaçado por causa de nossos crimes; o castigo que nos devia trazer a paz, caiu sobre ele, e nóa fomos sarados com as suas pisaduras. Todos nós andamos desgarrados como ovelhas, cada um se extraviou por seu caminho; e o Senhor carregou sobre ele a iniquidade de todos nós. Foi oferecido em sacrifício porque ele mesmo quis, e não abrio a sua boca; como uma ovelha que é levada ao matadouro e como um cordeiro diante do tosquiador, guardou silencio e não abrio a sua boca… Quem contará a sua geração?” (Isaías 53:2-9).
Com estas palavras conclusivas o Profeta dirigi-se para a consciência daqueles que irão negar Seu Salvador, como que dizendo-lhes: vós dais as costas, soberbos, ao Jesus ofendido e peregrino, mas entendei que por vós, pecadores, Ele padece terrivelmente. Adentrai Sua beleza de alma e então, quem sabe podereis compreender que Ele veio do mundo superior.
Mas, humilhando-Se voluntariamente, o Senhor Jesus Cristo, ao mesmo tempo, aos poucos divulgava os segredos da Sua unidade com Deus Pai, aos que conseguiram elevar-se dos grosseiros conceitos da turba. Por exemplo, dizia à turba: “Eu e o Pai somos Um só; aquele que Me viu, viu ao Pai…o Pai está em Mim e Eu estou no Pai…tudo que é Meu é Teu (do Pai) e o que é Teu é Meu…Nós (Pai e Filho)viremos e faremos nossa morada nele…” (João 10:30, 14:10-23, 17:10).
Estas e outras expressões referem-se à Sua Natureza Divina.
Além do mais, o Senhor Jesus Cristo, paulatinamente revelava Seus atributos, que só podem ser características de Deus. Por exemplo, Ele denominava-Se Criador ao dizer: “Meu Pai cria até hoje e Eu crio” (João 5:17). É significativo que os judeus, tendo ouvido isto, entenderam-no de modo absolutamente correto e quiseram apedrejar Cristo pela blasfêmia, visto que “Ele não só deixava de guardar o Sábado, mas também dizia que Deus era Seu Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5:17-18). Não Se opondo à esta interpretação, o Senhor confirmou que eles O entenderam corretamente.
Noutras ocasiões, o Senhor Jesus Cristo denominava-Se eterno. Quando, por exemplo, os judeus O indagaram: “Quem és?”Jesus respondeu: “Existo desde a origem dos tempos” (João 8:25). E acrescentou: “Em verdade vos digo: antes de Abraão, Eu existo” (João 8:58). Convém notar que Jesus não disse: “Eu existia,” como seria gramaticalmente correto dentro do contexto da fala, mas empregou o presente: “Eu existo,” ou então, “Eu sou Existente.” A profunda conotação desse vocábulo é evidente no original hebraico. Quando Moisés, junto ao arbusto não consumível pelo fogo, indagou Deus sobre qual era Seu nome, o Senhor respondeu: “Eu sou o Existente (em hebraico Jeová). Ou seja, a própria denominação “Existente” (Jeová) indica uma propriedade específica de Deus. Êle é aquele Que sempre existe, êle é eterno. Tendo chamado a Si mesmo de Existente (Jeová), Jesus Cristo usou o nome com o qual os judeus chamavam a Deus. Convém lembrar que o nome Jeová era tão venerado pelos judeus a ponto de empregarem apenas em ocasiões muito importantes e festivas, enquanto que na fala habitual usavam Senhor, Criador, o Supremo, o Bendito etc.
Após ressuscitar dos mortos, Jesus Cristo reiterou Sua eternidade, dizendo: “Eu sou alfa e ômega, o início e o fim; o Senhor que é, era e será, Onipotente” (Apoc. 1:8). Em outras ocasiões Ele se cognominou de Onisciente (sabedor de tudo), dizendo: “Como o Pai Me conhece, Eu também conheço o Pai” (João 10:15) Só Deus pode conhecer Sua natureza, na totalidade. O Senhor Jesus Cristo ainda chamava Sua natureza de onipresente, ao dizer: “Ninguém subiu ao céu, a não ser quem desceu dos céus, o Filho do Homem que ali permaneceu. Onde dois ou três se reuniram em Meu nome, lá Estou entre eles”(João 3:13; Mateus 18:20). Cristo empregou outra vez a forma “estou” mostrando que não só esteve ou estará nos céus, mas ali permanece constantemente.
E, partilhando com o Pai todas as Suas características Divinas: criação, eternidade, onisciência, onipresença etc Jesus Cristo deve ser considerado por todos igual ao Pai, também para ser honrado, por isso: “Todos devem honrar o Filho, como honram o Pai: quem não honra o Filho, também não honra o Pai, que O enviou” (João 5:23). Tudo o exposto nos leva infalivelmente à verdade, que Jesus Cristo Realmente é verdadeiro Deus, igual ao Pai na essência.
Embora Jesus Cristo evitasse denominar-Se diretamente Deus, para não provocar na turba reações desnecessárias, Ele aprovava os capazes de elevarem-se até essa verdade. Por exemplo, quando o apóstolo Pedro na presença de outros apóstolos disse: “Tu és Cristo, Filho de Deus Vivo!.” O Senhor recebeu sua confissão de fé, acrescentando que Pedro chegara a essa convicção não através da observação própria, mas graças a uma inspiração superior: “Bendito seja, Simeão, por não terem sido a carne e o sangue que te fizeram perceber isso, e sim Meu Pai, que se encontra nos céus” (Mateus 16:16-18). De modo semelhante, quando o apóstolo Tomé, até então em dúvida, viu diante de si o Salvador ressuscitado, exclamou: “Senhor meu e Deus meu” (João 20:28). Cristo não contestou esta denominação, mas recriminou-o um pouco pela sua demora em crer e disse: “Tu acreditaste por Ter-Me visto (ressuscitado). Benditos aqueles que não vêm e crêm” (João 20:29).
Lembremos, finalmente, que a própria condenação de Cristo para morrer na cruz foi provocada pelo reconhecimento oficial de Sua Divindade. Quando o sumo-sacerdote Kaifaz, sob juramento, indagou a Cristo: “Diga-nos se És Cristo, Filho do Abençoado,” Cristo respondeu: “Tu o disseste,” empregando a forma corrente da resposta afirmativa (Mateus 26:63; Lucas 22:70; João 19:7).
Cabe esclarecer outra questão muito importante relacionado com esta: como Kaifaz, numerosos judeus e até os demonios poderiam atingir a idéia de que Messias seria o Filho de Deus? A única resposta possível é: das Antigas Escrituras. A Elas cabia preparar o terreno para essa crença. De fato, ainda o rei Davi, que viveu mil anos antes da vinda de Cristo, em três salmos, denomina o Messias como Deus (Salmos 2, 45 e 109). De modo mais claro ainda, essa verdade foi revelada por Isaías, que viveu 700 anos a.C. Predizendo o milagre da encarnação do Filho de Deus, Isaías afirma: “Uma Virgem conceberá e dará à luz um Filho, e o Seu nome será Emanuel” (Isaías 7:14). Emanuel significa “Deus está conosco.” Um pouco mais adiante o Profeta revela com maior determinação as virtudes do Filho que irá nascer: “E Lhe darão estes nomes: Admirável Conselheiro, Deus Invencível, Pai Eterno, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6). É impossível aplicar tais denominações a alguém outro, a não ser a Deus. Sobre a eternidade do Menino que viria a nascer, escreveu também o Profeta Miquéias: “E tu, Belém (chamada Efrata), tu és pequenina entre os milhares de Judá; mas de ti é que me há de sair (o Messias) Aquele que há de reinar em Israel, e cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5:2).
O profeta Jeremias, que viveu cerca de 200 anos depois de Isaías denominava O Messias de “Senhor” (Jeremias 23:5; 33:16), subentendendo Aquele Senhor O Qual o enviou para pregar; já o discípulo de Jeremias, o Profeta Baruc, escreveu as seguintes palavras sobre o Messias, “Este é o nosso Deus e nenhum outro Lhe é comparável” (Baruc 3:36) “E depois disto estará presente na terra e estará entre os homens” (Baruc 3:38).
Eis porque os mais sensíveis entre os judeus, tendo indicações precisas nas Sagradas Escrituras, podem, sem titubear, reconhecer, em Cristo, o Verdadeiro Filho de Deus. (a respeito vide o artigo “O Velho Testamento sobre o Messias”). Destaca-se que muito antes da vinda de Cristo, a piedosa Isabel saudou a Virgem Maria que estava aguardando o nascimento do Menino Deus com a seguinte saudação: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o Fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe do Meu Senhor?” (Lucas 1:42-43). É evidente que Isabel não poderia ter outro Senhor além daquele ao qual servira desde a infância. Conforme explicação do Apóstolo Lucas, Isabel disse isto por inspiração do Espírito Santo.
Convencendo-se de modo inabalável da Divindade de Cristo, os apóstolos pregavam sua fé Nele entre todos os povos. O evangelista João inicia seu evangelho com a declaração da natureza Divina de Jesus Cristo:
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava em Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio em Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e nada do que foi feito, foi feito sem Ele. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunhar, para que desse testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio Dele. Ele não era a luz; mas era para dar testemunho da luz. Era a luz verdadeira, que ilumina todo o homem que vem a este mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por Ele, e o mundo não O conheceu. Veio para o que era Seu, e os seus não O receberam. Mas, a todos os que O receberam, deu-lhes o poder de ser tornarem filhos de Deus; àqueles que crêem no Seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e nós vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João deu o testemunho dele e clamou dizendo: Este era Aquele de Quem eu disse: O Que há de vir depois de mim é mais do que eu, porque era antes de mim. E todos nós participamos da sua plenitude e recebemos graça sobre graça. Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; O Filho Unigênito, que esta no seio do Pai, ele mesmo é que o deu a conhecer” (João 1:1-18).
A denominação do Filho de Deus como Verbo, mais que outros títulos, revelam a relação recíproca entre a Primeira e a Segunda pessoa da Santíssima Trindade: Deus Pai e Deus Filho. Efetivamente, a idéia e a palavra se diferenciam entre si, uma vez que a idéia permanece e a palavra é a expressão da idéia. Na verdade, ambos são inseparáveis. Não pode haver idéia sem palavra, nem palavra sem idéia. A idéia é como a palavra oculta e a palavra é a expressão da idéia. A idéia personificada na palavra dá às pessoas o conteúdo da idéia. Neste sentido, a idéia, sendo a princípio independente, é como o pai da palavra e a palavra é como o filho da idéia. Antes que haja a idéia, a palavra é impossível existir, e a palavra não provém de parte alguma que não seja somente da idéia e com a idéia se torna inseparável. Da mesma maneira, o Pai, a mais grandiosa e suprema idéiaproduzio de Si o Filho-Verbo, Seu primeiro Intérprete e Mensageiro (segundo São Dionísio, de Alexandria).
Os apóstolos falam com toda clareza, sobre a Divindade de Cristo: “Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecer o Deus verdadeiro e estejamos no seu verdadeiro Filho. Vivemos unidos ao que é verdadeiro, quer dizer, ao Seu Filho Jesus Cristo. Ele é o Deus verdadeiro e a vida eterna” dos Israelitas nasceu Cristo segundo a carne… Deus bendito por todos os séculos” (Rom. 9:5). “Aguardando a esperança bem-aventurada e a vinda gloriosa do grande Deus e Salvador nosso Jesus Cristo” (Tito 2-13). “Se (os judeus) a tivessem conhecido (sabedoria de Deus), nunca teriam nunca teriam crucificado o Senhor da glória” (1 Cor. 2:8). “Porque Nele (em Jesus) habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” (Col. 2:9). “É grnde o misterio da piedade – Deus se manifestou na carne.” Sobre o Filho de Deus, Ele não é um ser, uma criatura, e sim Criador, pois é incomparavelmente superior que todas as coisas criadas por Ele, conforme o apóstolo Paulo demonstra, em detalhes, nos capítulos 1 e 2 de sua Epístola aos Hebreus. Os anjos são somente espíritos auxiliares.
É indispensável recordar que a denominação de Nosso Senhor Jesus Cristo como Deus, por Si mesmo fala da plenitude de Sua Divindade. “Deus,” desde o ponto de vista lógico e filosófico, não pode ser de categoria inferior, Deus limitado. As virtudes da Natureza Divina não devem ser submetidas à condições e diminuições. Se é “Deus,” então O é completamente e não parcialmente.
Somente graças à unidade de pessoas em Deus, podem-se reunir numa única oração os nomes do Filho e do Espírito Santo ao lado do nome do Pai. Por exemplo: “Ide (Seus discípulos) e ensinai a todas as nações, batizando em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mateus 28:19). “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” (2 Cor. 13:14). “Porque três são os que dão testemunho nos céus: o Pai, o Verbo e o Espírito Santo, e estes três são um”(1 João. 5:17). Aqui o apóstolo João diz que Estes três são Um: Um Só Ser.
Obs: É necessário diferenciar os conceitos Pessoa e Essência. O conceito de pessoa significa indivíduo, “eu,” consciência. As células vivas do nosso organismo morrem, são substituídas por outras novas; porém a consciência, em toda a nossa vida, relaciona-se com o nosso “eu.” O conceito de Essência fala da natureza. Em Deus, há uma Essência e três Pessoas. Por exemplo: o Deus Pai e o Deus Filho podem conversar Um com o Outro, tomar uma decisão conjunta. Um fala e o Outro responde. Cada Pessoa da Santíssima Trindade tem Suas virtudes individuais, portanto cada Pessoa se diferencia de outra Pessoa. No entanto, todas as Pessoas da Trindade têm a mesma Natureza Divina.
O Filho tem as mesmas virtudes Divinas do Pai e do Espírito Santo. A doutrina da Trindade nos propicia a vida eterna e os mistérios em Deus, o que na realidade é algo que não está ao alcance de nosso entendimento, mas ao mesmo tempo é indispensável para a verdadeira fé em Cristo.
Jesus Cristo é uma só pessoa, a pessoa do Filho de Deus, mas tem duas naturezas: a Natureza Divina e a natureza humana. Por sua essência Divina é igual ao Pai: eterno, todo poderoso, onipresente etc. Segundo a natureza humana adquirida por Ele, em tudo Se parece a nós. Êle cresceu, se desenvolveu, padeceu, alegrava-se, tinha duvidas etc. A natureza humana de Cristo incluía a alma e o corpo. A diferença consistiu que Sua natureza humana estava completamente livre da corrução do pecado . Sendo Cristo ao mesmo tempo Deus e homem, as sagradas Escrituras falam sobre Ele às vezes como Deus e às vezes como homem. E mais ainda, às vezes a Cristo, como Deus, atribuem predicados humanos (1 Cor. 2:8), e às vezes como a um homem, atribuem Virtudes Divinas, não havgendo, no entanto contradições, pois falava-se na mesma Pessoa.
Lendo com atenção os ensinamentos das Sagradas Escrituras sobre a Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, no Primeiro Concílio Ecumênico, para encerrar com as diversas interpretações da palavra “Filho de Deus” e a diminuição de sua Dignidade Divina, resolveram que os cristãos creêm:
“Em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não criado; consubstancial ao Pai, por Quem foram feitas todas as coisas.”
Os arianos rechaçaram, com todo vigor, a palavra “consubstancial,” porque seu significado não se pode interpretar em outro sentido que seja diferente do ortodoxo, isto é, que Jesus Cristo Se reconhece Deus verdadeiro, em tudo igual a Deus Pai. Por esta razão os bispos do Concílio insistiram que essa palavra estivesse no Credo (Símbolo de Fé).
Resumindo o que foi colocado acima, temos que dizer que a fé na Divindade de Cristo não se pode fixar em nossos corações com versículos e fórmulas. Aqui, há de se ter fé pessoal, a iniciativa da força de vontade. Como há quase dois mil anos, assim será até o fim do mundo: para muitos Jesus será pedra no caminho e rocha que os sucumbirá, para que sejam revelados os pensamentos de muitos corações (1 Pedro 2:7; e Luc. 2:35). Foi a vontade de Deus que por meio da relação com Cristo, se descubra a vontade de cada pessoa. E o que “foi escondido dos sabios e estudiosos, foi revelado a cada criança.”
O objetivo deste artigo não é provar que Jesus é Deus. Isto não se pode provar, como muitas outras verdades da fé. O objetivo é ajudar ao cristão a entender a sua própria fé e contar com argumentos para defender suas crenças dos hereges.
Então, Jesus Cristo é Deus ou homem? Ele é Deus-Homem. Nossa fé tem que fortalecer-se nesta crença.

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Técnicas em estatística

Técnicas
As técnicas usadas costumam classificar-se como:
1.Gráficos descritivos: São usados vários tipos de gráficos para sumarizar os dados. Por exemplo: Histograma.
2.Descrição Tabular: Na qual se usam tabelas para sumarizar os dados. Por exemplo tabelas de Frequências.
3.Descrição Paramétrica: Na qual estimamos os valores de certos parâmetros, os quais assumimos que completam a descrição do conjunto dos dados. Por exemplo: Média.
Objectivos dos parâmetros
• Podemos querer escolher um parâmetro que nos mostre como as diferentes observações são semelhantes. Os textos académicos costumam chamar a este objectivo de “medidas de tendência central”.
• Podemos querer escolher parâmetros que nos mostrem como aquelas observações diferem. Costuma chamar-se a este tipo de parâmetros de “medidas de dispersão“.
Exemplos
Medidas de tendência central
Costumamos responder ao primeiro desafio com o uso da média aritmética, a mediana, ou a moda. Por vezes escolhemos valores específicos da função distribuição acumulada chamados quantis como quartis, decis, ou percentis.
Medidas de dispersão
As medidas mais comuns de variabilidade para dados quantitativos são a variância; a sua raiz quadrada, o desvio padrão. A amplitude total, a distância interquartílica e o desvio absoluto são mais alguns exemplos de medidas de dispersão.

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